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Bancos querem mudanças no Pix para evitar roubos e sequestros

| 27/08/2021 14:03 h

Sucesso como ferramenta de transação financeira, o Pix trouxe efeitos colaterais, tornando-se uma arma nas mãos de criminosos. Com ele, usuários já têm sido vítimas de roubos e de sequestros-relâmpago em São Paulo, numa perigosa tendência.

Há um caso no interior paulista de uma cliente de banco que foi amarrada, agredida e perdeu R$ 100 mil em transações pelo Pix.

Em duras reuniões, as instituições financeiras têm pressionado o Banco Central a mudar a formatação da ferramenta, segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Banco Central
Banco Central |  Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Um dos pedidos é por liberdade para negociar com o usuário do serviço bancário o limite de transferência, além de permitir que o botão Pix não seja obrigatório no aplicativo de todos os clientes.

Pelas determinações do Banco Central, não se pode negociar os limites operacionais com os usuários. E, a princípio, a autoridade monetária estava irredutível em realizar as alterações solicitadas.

Contudo, ontem, essa posição mudou. Segundo o Brasil Urgente, da TV Band, o Banco Central vai anunciar mudanças no Pix. “Entre outras ações, o valor máximo de operação será determinado para reduzir escalada de violência e de golpes que usando esse tipo de transferência bancária”, informou.

O diretor de um grande banco, ouvido pelo colunista Lauro Jardim, explicou o motivo da pressão por alterações: “A flexibilização das regras chega ao ponto de permitir ao cliente ampliar o limite do valor da transferência no momento da operação, fato amplamente conhecido, inclusive dos bandidos.”

Desenvolvimento

O presidente do Banco Central (BC), Roberto de Oliveira Campos Neto, disse nesta semana considerar que o desenvolvimento da ferramenta está no começo. E negou que o Pix tenha sido pensado para ser um substituto do TED e DOC, modalidades anteriores de transferência de valores em bancos.

“A ideia é baixar o custo de intermediação a tal ponto que aumente o nível de transações e fomente novos modelos de negócio. Então agora estamos vendo ambulantes que aceitam pagamento em Pix. Nós queremos fazer um levantamento do número de contas abertas porque as pessoas precisavam usar o Pix”, ressaltou Campos.

São Paulo já teve 202 sequestros-relâmpagos

Desde dezembro do ano passado, foram registrados 202 sequestros-relâmpagos em que os bandidos utilizaram o Pix para roubar o dinheiro das vítimas. O número foi compilado pela inteligência do governo estadual de São Paulo.

E com a popularização do sistema, os casos têm aumentado. Entre dezembro de 2020 e março de 2021 haviam sido registrados 51 boletins de ocorrências narrando crimes do tipo. Entre abril e julho deste ano, o número saltou para 151.

Em maio, segundo a polícia paulista, quase 30% dos sequestros-relâmpagos foram praticados usando o Pix como ferramenta de roubo.

Tarcio Severo, delegado da divisão antissequestro do Departamento de Operações Especiais de Polícia (Dope), explicou que, mesmo as transações pelo Pix deixando rastros, a polícia tem dificuldade de localizar os bandidos, pois o dinheiro é enviado para a conta de “laranjas”, que são alertados e evitam que os bancos sejam avisados e bloqueiem a operação.

O delegado Gilberto Tadeu Barreto relatou que a prática de crimes a partir da tecnologia de pagamentos “virou uma praga”. Os casos de estelionato também aumentaram. “Criminosos aprenderam a usar de forma muito rápida.”

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