Banco Master: dinheiro para 32 mil sai até semana que vem, diz jornal
Esse é o total estimado de investidores no Estado que vão receber do FGC. Colunista diz que pagamento dos valores está próximo
Os 1,6 milhão de investidores do Banco Master – sendo 32 mil no Estado – começarão a receber seu dinheiro do Fundo Garantidor de Crédito (FGC, uma espécie de seguro dos bancos) até, no máximo, o início da semana que vem. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em novembro.
A informação é do jornal O Globo. A reportagem procurou pelo FGC, que não negou a informação, embora também não a tenha confirmado. Serão pagos R$ 41 bilhões (um terço do caixa do FGC, que soma R$ 120 bilhões) aos clientes que têm direito à cobertura, no valor de até R$ 250 mil por CPF ou CPNJ, na maior operação de liquidação de uma instituição financeira já registrada no País.
Até então, o maior desembolso do FGC havia sido com a quebra do Bamerindus, em 1997, quando foram devolvidos R$ 20 bilhões, considerando valores atuais.
Segundo o colunista de O Globo Lauro Jardim, o FGC já recebeu a lista de investidores, na semana passada, e faz uma última checagem dos nomes, eliminando possíveis dúvidas junto ao interventor nomeado do Master, a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas.
Segundo o colunista, assim que possíveis dúvidas forem sanadas, os pagamentos começam ser liberados. O processo em outras instituições liquidadas levou cerca de 30 dias. Mas, no caso do Master, diante de uma lista mais extensa de investidores, a liquidação completa dois meses no domingo.
Os investidores em CDBs do Master com direito a receber já foram avisados, pelas instituições onde fizeram o investimento, sobre a liquidação do banco. Mas o ressarcimento não é automático.
Segundo o FGC, os investidores pessoas físicas precisam se cadastrar no aplicativo do FGC (que pode ser baixado facilmente pela internet), fornecer informações pessoais e cadastrar uma conta bancária de mesma titularidade para que seja feito o depósito.
É preciso fazer biometria e enviar documentos solicitados pelo FGC, que alerta contra possíveis golpes, já que a instituição não entra em contato com os credores solicitando informações sigilosas.
Para clientes do Master pessoas jurídicas, a pessoa responsável pela empresa deve pedir o ressarcimento pelo site do FGC, por meio do Portal do Investidor. O pagamento será feito a uma conta corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa. O FGC também vai solicitar informações e documentos.
Aplicativo falso ataca beneficiários do FGC
A Kaspersky revelou a descoberta de um aplicativo fraudulento direcionado a beneficiários do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no Brasil, especificamente aqueles aguardando a devolução de valores após a liquidação do Banco Master.
O software, que promete facilitar o acompanhamento de pagamentos, na verdade, instala um trojan bancário no dispositivo do usuário, comprometendo suas informações financeiras.
O golpe se destaca pela sofisticação da técnica utilizada pelos cibercriminosos, que imitam a interface do app legítimo do FGC disponível na Google Play Store.
Uma vez instalado, o aplicativo malicioso, conhecido como BeatBanker, não só rouba credenciais bancárias, mas também permite o controle remoto do celular e utiliza sua capacidade de processamento para mineração de criptomoedas.
Inspeção
Após acertar uma trégua com o Banco Central, técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) devem iniciar nesta semana a inspeção nos documentos que balizaram a decisão sobre a liquidação do Master com foco em duas principais frentes.
São elas: a atuação da entidade monetária na fiscalização da instituição financeira antes de 2024; e a proposta de compra rejeitada feita pela Fictor ao banqueiro Daniel Vorcaro.
ENTENDA
O caso
> O crescimento acelerado do Banco Master, desde 2019, levantou suspeitas no mercado devido a práticas agressivas de captação e investimentos arriscados.
> Após o Banco Central (BC) rejeitar, em setembro de 2025, a oferta de compra de parte do banco pelo BRB, a instituição foi colocada em liquidação em novembro, decisão agora questionada em tribunais e alvo de um intenso jogo de forças políticas.
> O caso envolve questionamentos à liquidação do Banco Master, denúncias de fraudes em bilhões de reais e tensões entre BC, TCU e STF.
> Serão pagos R$ 41 bilhões (um terço do caixa do FGC, que soma R$ 120 bi) aos clientes que têm direito à cobertura, no valor de até R$ 250 mil por CPF ou CPNJ, na maior operação de liquidação de uma instituição financeira já registrada no País.
> Até então, o maior desembolso do FGC havia sido com a quebra do Bamerindus, em 1997, quando foram devolvidos R$ 20 bilhões.
O que o FGC precisa para fazer o pagamento?
1) O liquidante ou interventor precisa enviar a relação das pessoas que são beneficiárias. A consolidação das informações demanda um período para ser finalizada e varia de instituição para instituição (na média, considerando as últimas liquidações, esse prazo foi de 30 dias).
2) O app do FGC está disponível e as pessoas podem realizar o cadastro básico. Quando as informações forem enviadas pelo liquidante ou interventor ao FGC, os credores podem completar o pedido da garantia.
3) O FGC recebe as informações do liquidante ou interventor, e informa que o sistema está disponível para completar a solicitação da garantia (O FGC tem a obrigação desde a intervenção ou liquidação e, a partir do recebimento das informações, é que pode ser realizado o pagamento).
4) Com informações, o FGC precisa que credores se manifestem.
5) A partir do recebimento da base pelo FGC, os credores (CPF) devem solicitar a garantia diretamente pelo app. As pessoas jurídicas (CNPJ) realizam o processo pelo site do FGC.
6) Ao finalizar o cadastro, a pessoa física poderá visualizar o valor que irá receber e, em seguida, deve assinar digitalmente um termo confirmando a solicitação do pagamento da garantia (as pessoas jurídicas também assinam o termo, enviado diretamente a elas após a análise dos documentos).
7) Após a assinatura digital e, estando tudo de acordo com os dados bancários, o FGC efetiva o pagamento em até 48 horas úteis, direto na conta de titularidade do credor.
Alerta contra golpes
> É preciso fazer biometria e enviar documento solicitados pelo FGC, que alerta contra possíveis golpes, já que a instituição não entra em contato com os credores solicitando informações.
Fonte: FGC e Pesquisa AT.
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