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Avós e netos se unem para cuidar dos negócios

As décadas que se somam na diferença de idade não impedem o aprendizado mútuo na gestão de empresas e ainda evitam conflitos

Verônica Aguiar, do jornal A Tribuna | 16/02/2022 12:51 h

Emersom, Rozaria, Eugênio, Carla, Rafael e Eduardo: união familiar
Emersom, Rozaria, Eugênio, Carla, Rafael e Eduardo: união familiar |  Foto: Leone Iglesias/AT
 

Muitos negócios fecham as portas por não haver uma preparação para a sucessão familiar. Atentas a isso, famílias estão se preparando para dar continuidade a negócios iniciados por gerações anteriores.

A analista do Sebrae Renata Braga explicou que quando o processo de sucessão familiar é bem feito, evita-se conflito entre herdeiros. “Existe uma transmissão do conhecimento, quem assume tem condição de aprimorar, de inovar. Outro ponto é a questão da confiabilidade”, destacou.   

Eduardo Pittol, 24, trabalha na empresa fundada pelo avô Eugênio Carlos Pittol, 73. Ela produz e entrega 8 mil toneladas de banana por ano a supermercados e centrais de abastecimento no Estado e fora dele.

Diretor-presidente do Bananas EP, seu Eugênio contou que começou na década de 1970, com muita dificuldade e pouco a pouco a empresa foi crescendo. “Vieram os filhos ajudando, somando. E agora já estou colocando meu neto para interagir e dar continuidade à empresa. É o que eu espero, que de fato eles deem continuidade”. 

Eduardo e o avô Eugênio trabalham juntos com produção de bananas: entrega de 8 mil toneladas por ano ao varejo
Eduardo e o avô Eugênio trabalham juntos com produção de bananas: entrega de 8 mil toneladas por ano ao varejo |  Foto: Leone Iglesias/AT
 

Ele detalhou que o neto conhece mais de tecnologia e traz atualização. Também revelou que trabalhar com filhos exige habilidade. “Normalmente eles pensam diferente do pai. Em alguma coisa eles têm razão, em outras não. Vamos somando conhecimento”.

Para Eugênio, uma das vantagens de se ter uma empresa familiar é a confiança. O neto contou sobre o que aprende com o avô. “Ele é uma pessoa séria e correta. Ele fala que o homem não é obrigado a tratar, mas a partir do momento que trata, é obrigado a cumprir”. 

Já os filhos de Eugênio, Rafael Pittol, 38, e Emersom Pittol, 44 anos, destacam a honestidade do pai. Enquanto a filha Carla Pittol, 45, explicou que trabalhar em uma empresa familiar tem a vantagem de ser ensinado com amor e paciência, por outro lado, a cobrança é maior. 

Advogado, mestre e doutor em Direito e professor, Caleb Salomão explicou que o processo de sucessão deve ser planejado. E destacou que a criação de um acordo de acionistas com diversas regras para que ocorra a sucessão é essencial. “O acordo de acionistas é muito mais um trabalho de gestão de afetos e interesses, do que um trabalho jurídico”, observou o especialista.

Sócios em uma transportadora

Claudecir Lagassi, 44, criou a própria transportadora em 2016. Depois começou a trabalhar com o seu pai Claudenir Lagassi, 67. Após ter um problema de saúde, convidou o filho Filipe Lagassi, 25, para fazer parte da sociedade.

O avô contou que aconselha o neto a tratar todo mundo bem e a ter os pés no chão. Já o neto revelou que avô tem uma boa relação com os clientes e paciência para ouvi-los. 

“Aprendi com meu avô a ter o pé no chão e ser constante com o que faço. Ter minha palavra como garantia de que não falharei com o que prometi.”

Já com o pai, aprendeu a “não ter medo de começar seu próprio negócio, mesmo que os desafios venham, os superando a cada dia”.


SAIBA MAIS


Troca 

  • Avós e netos que se unem para trabalhar juntos têm a oportunidade de aprender um com o outro. Nem sempre esse aprendizado se dá por meio de palavras ou conselhos, muitas vezes acontece por meio do exemplo. São atitudes e comportamentos diários dos avós, por exemplo, que inspiram os netos. 
  • E o contrário também acontece. Os netos em constante busca pelo aprendizado, acessando novos conhecimentos, utilizando novas tecnologias, também inspiram os avós. 
  • Entre os pontos fortes dessa convivência está o fato de os avós terem mais maturidade emocional e experiência para poder ajudar os netos a trilhar caminhos mais assertivos.
  • Mas, para que a troca aconteça, é necessário por parte de ambos um olhar atento e humildade. Humildade para entender que ninguém sabe de tudo e que todos tem algo para ensinar.
  • Na soma, quando essa parceria dá certo em uma empresa familiar, tanto avós quanto netos  saem ganhando, pois a empresa da família consegue atravessar gerações. Dessa forma, o neto consegue perpetuar o legado do avô e ter uma empresa para chamar de sua.

Emocional

  • O trabalho em família não pode ser guiado pela relação familiar. Dentro da empresa todos são profissionais que desenvolvem suas atividades.
  • Além disso, as decisões devem ser tomadas com base técnica e não com base em emoções. 

Sucessão familiar

  • Trata-se de um procedimento de transição intergeracional de poder e capital de uma empresa, de modo que ela consiga perpetuar-se. 
  • Quando o fundador de uma empresa decide perpetuar um negócio, ele precisa de um planejamento sucessório. A sucessão não é espontânea. É preciso criar condições para que a nova geração assuma o negócio. Ela precisa ter preparação técnica e emocional para isso.

Como fazer a transição

  • O ideal é que com o patriarca da família ainda vivo se crie um acordo de acionistas. Lá, serão estabelecidas algumas regras como: qual será o critério de escolha do futuro diretor geral; como serão selecionados novos executivos, eles serão ou não parentes; como será a preparação dos herdeiros; como se dará o apoio financeiro para quem for da família e não quiser ficar na empresa; separação do capital da empresa do dinheiro dos sócios; processo de afastamento gradativo do fundador.

Sucessor 

  • O patriarca escolher o sucessor nem sempre é uma boa ideia. Pode ser uma boa ideia quando ele identificou que um dos filhos tem talento e esse filho é preparado para assumir, desenvolvendo habilidades emocionais e intelectuais.  
  • Mas o grande problema acontece quando o patriarca escolhe com base em sentimentos, já que ele não tem a experiência de um setor de gestão de pessoas para fazer a escolha adequada. 

Erros comuns

  • Dentro da empresa os membros da família devem agir como profissionais que vão executar tarefas técnicas e não como parentes. O tratamento de família e parentesco não cabe nesse meio.
  • Também não se pode, em uma empresa, atribuir funções de liderança única e exclusivamente em função do parentesco.

Fonte: Caleb Salomão, fontes citadas na reportagem

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