ArcelorMittal prevê atraso em investimento
Projeto bilionário no Estado está entre os que podem ser adiados devido à importação de aço. Indústria de várias áreas estão se unindo
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O projeto de R$ 10 bilhões que envolve a construção de um Laminador de Tiras a Frio (LTF) pela ArcelorMittal Unidade Tubarão pode ser adiado caso medidas mais intensas de defesa comercial contra o aço importado não sejam adotadas pelo governo brasileiro.
A afirmação foi dada pelo CEO da ArcelorMittal Aços Planos América Latina, Jorge Oliveira, ao jornal Valor Econômico.
Com uma projeção de 6,3 milhões de toneladas de aço importado apenas da China até o final de 2025, segundo o Instituto Aço Brasil, a chamada “invasão” de aço internacional está prejudicando as vendas da indústria local. “Temos apetite de continuar investindo no Brasil, mas o risco deste futuro é a condição de importação”, disse o executivo.
No Brasil, as siderúrgicas operam com 35% de ociosidade, quase o dobro do patamar considerado saudável, de 20%, apontou o jornal. Isso significa dizer que, mesmo tendo estrutura capaz de produzir e vender mais, as empresas precisam manter esses mesmos equipamentos, mas com uma quantidade menor de produção — assim, criando um gargalo entre manutenção e retorno efetivo.
Para Oliveira, o crescimento das importações está patamares elevados. “O ritmo deste ano está em 6,3 milhões. Em termos de volume, dá 200%. Da China, 330%”, afirma.
O governo federal já reconheceu o desafio e, além de renovar até maio de 2026 o sistema de cotas de importação, abriu a maior investigação antidumping já realizada, envolvendo 25 produtos de aço importados da China. Oliveira, no entanto, vê a medida como um passo importante, mas insuficiente.
“As investigações sobre laminados a frio e galvanizados já têm um dano declarado pelo governo. Agora precisamos de celeridade”.
Setores como o metalmecânico e o calçadista vêem a possibilidade de prejuízos, mas ainda enxergam a manutenção dos investimentos no prazo devido. “Efetivamente nada foi perdido no nosso setor, mas temos que aguardar os próximos passos”, afirma Luis Alberto Carvalho, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico (Sindifer-ES).
As lojas de calçados podem ter um aumento em vendas adiado, segundo o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Calçados (Sindicalçados-ES), Altamir Martins.
Ofensiva da indústria
Representantes de setores industriais sinalizaram que poderão articular uma ofensiva conjunta para enfrentar o que chamaram de uma invasão de produtos chineses.
A coalizão reúne representantes de 14 setores industriais em segmentos como aço, calçados, produtos têxteis, plásticos, máquinas e equipamentos.
A ofensiva mira o governo federal. Alguns setores defendem que medidas antidumping são demorados e demandam decisões mais urgentes.
Entenda
Importações
A média anual de importação de aço ficou na faixa de 2,2 milhões de toneladas entre os anos 2000 e 2019, segundo o Instituto Aço Brasil, que representa as indústrias do setor.
Para 2025, a entidade calcula que será de 6,3 milhões de toneladas, o que não leva em consideração o volume em importações indiretas, em produtos feitos com aço, que seria similar.
ArcelorMittal
A empresa, que está concluindo até 2026 um ciclo de R$ 25 bilhões em aportes no país, vê na crescente presença do aço estrangeiro uma ameaça direta à sustentabilidade do setor.
aos menos mais R$ 10 bilhões são previstos para serem investidos pela siderúrgica no Brasil, sendo 40% — ou seja, R$ 4 bilhões — no projeto no Espírito Santo, que envolve o Laminador de Tiras a Frio (LTF).
Outro setor
A indústria de confecção, por exemplo, aponta para a dificuldade para produzir devido à escassez de mão de obra e o “custo Brasil”, o que seria intensificado pelas importações.
No entanto, apenas esse setor foi o que fez movimento com sucesso, resultando na ação do governo federal de colocar taxas sobre as “blusinhas”, segundo o empresário José Carlos Bergamin.
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