Ana Fontes: “Gen Z” empreende com base no que acredita
Análise é da empreendedora social Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, o primeiro sistema de apoio ao empreendedorismo feminino do país
O “jeito gen Z” de empreender deve revolucionar o ecossistema de negócios brasileiro nos próximos anos. A análise é da empreendedora social Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, o primeiro sistema de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil.
“As mulheres da Geração Z estão mais ligadas ao futuro, à tecnologia e a criar negócios que resolvam problemas reais”, aponta.
Segundo ela, nessa geração, o desejo de empreender surge da combinação entre senso de oportunidade, busca por autonomia e a insatisfação com ambientes de trabalho corporativos tradicionais.
“É uma geração que não quer se matar de trabalhar e que tem valores e propósitos muito fortes. Não querem trabalhar, por exemplo, em ambientes que não prezam pela sustentabilidade e pela qualidade de vida”, explica.
A Tribuna - O que diferencia as mulheres da Geração Z das gerações anteriores quando decidem empreender?
Ana Fontes - Mulheres das gerações anteriores estão buscando no empreendedorismo uma forma de geração de renda, pois boa parte delas lidera financeiramente suas famílias. Já a Geração Z está criando negócios para mudar o mundo, que têm impacto social e que vão solucionar problemas das pessoas. As motivações e os tipos de negócios são diferentes.
Como os valores da Geração Z influenciam as decisões de negócio?
A decisão por um negócio de propósito influencia a escolha do segmento, que tem de estar ligado ao que eles acreditam. E isso também se reflete na escolha de parceiros, fornecedores e de aliados, porque essa geração olha para tudo que faz parte do ecossistema da empresa.
Quais são os principais desafios encontrados por empreendedoras da Geração Z e o que mudou em relação às gerações anteriores?
No geral, o empreendedorismo feminino tem desafios ligados ao acesso à capital, ao mercado e à construção de redes de relacionamento. O que muda agora é que as meninas da geração Z também precisam se provar ainda mais para passar credibilidade, devido ao seu posicionamento de buscar a combinação entre qualidade de vida e seu negócio.
O empreendedorismo feminino nesta geração surge pelo senso de oportunidade, pelo desejo de autonomia ou por uma insatisfação com os modelos de trabalho existentes?
É uma combinação. Nasce por oportunidade, mas também pelo desejo de autonomia financeira e a insatisfação com os ambientes de trabalho corporativos tradicionais. É uma geração que não quer se matar de trabalhar e tem valores muito fortes.
Olhando para os próximos dez anos, de que forma as mulheres da Geração Z podem transformar o ecossistema empreendedor brasileiro?
Essa geração vai transformar completamente o empreendedorismo feminino. Elas estão mais ligadas ao futuro, à tecnologia e a criar negócios que resolvam problemas reais. Estão super conectadas com o que está acontecendo no mundo. Com certeza, teremos um crescimento significativo de negócios ligados à tecnologia e Inteligência Artificial, meio ambiente, sustentabilidade, impacto social e também do setor Wellness.
Perfil
Ana Fontes
É uma empreendedora social nordestina, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto RME, dedicado à capacitação de mulheres em situação de vulnerabilidade.
Vice-Presidente do Conselho do Pacto Global da ONU Brasil, também preside o Women20, grupo de engajamento feminino do G20.
Reconhecida no ranking Melhores Líderes do Brasil da Merco, recebeu prêmios como Bloomberg 500 mais influentes da América Latina 2024, Empreendedor Social 2023, Executivo de Valor 2023 e Forbes Brasil Mulheres Mais Poderosas 2019.
É autora do livro “Negócios: um assunto de mulheres - A força transformadora do empreendedorismo feminino”.
Incentivo, valorização e aceleração
Especialistas apontam que a relação entre a geração Z e o empreendedorismo deve ser marcada, também, pela busca constante por profissionalização.
E para quem vive ou deseja iniciar sua trajetória no empreendedorismo feminino, uma oportunidade é o Sebrae Delas, programa gratuito do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
“São jovens que nasceram em um ambiente digital e valorizam propósito, impacto social e buscam autonomia profissional. O Sebrae Delas pode contribuir justamente nesse processo, oferecendo capacitação, mentorias, conexões e ferramentas que ajudam a transformar boas ideias em negócios sustentáveis”, explica Juliana Castro, gestora estadual do Programa Plural do Sebrae/ES.
Segundo a gestora, há trilhas específicas voltadas para mulheres, que abordam desafios vividos por esse público. “Essa segmentação torna o conteúdo mais contextualizado e aplicável à realidade delas”, destaca.
Temas
Entre os temas mais procurados estão gestão financeira, liderança, marketing digital, vendas e planejamento estratégico.
“Além do desenvolvimento da gestão, trabalhamos competências como liderança, autoconhecimento, planejamento e posicionamento de marca, aspectos fundamentais para quem está começando sua trajetória empresarial”, completa.
Podem participar mulheres interessadas em empreender, microempreendedoras individuais (MEIs), micro empresárias e donas de empresas de pequeno porte. Mais informações estão disponíveis no site sebrae.com.br/subsites/sebrae-delas.
Sebrae delas
O que é
Programa gratuito do Sebrae voltado ao incentivo, capacitação e ao fortalecimento de mulheres empreendedoras.
Como funciona
Cursos, oficinas e mentorias
Atividades presenciais e online disponíveis em todo o País.
Quem pode participar
Mulheres que se desejam se tornar empreendedoras.
Mulheres com negócio já formalizado como Microempreendedor Indivual (MEI).
Microempreendedoras (MEs) que faturam até R$ 360 mil por ano.
Mulheres à frente de Empresas de Pequeno Porte (EPPs) que faturam até R$ 4,8 milhões por ano.
FONTE: Sebrae.
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