500 mil capixabas começam a receber dinheiro das bets nesta sexta-feira
Bancos farão os repasses aos clientes, e economistas recomendam priorizar dívidas e reorganizar o orçamento familiar
O dinheiro que ficou parado nas contas de casas de apostas on-line, as chamadas bets, começa a voltar para o bolso dos apostadores a partir desta sexta-feira (9). No Espírito Santo, a estimativa é que cerca de 500 mil pessoas tenham valores a receber.
O cálculo considera que, dos 26,5 milhões de brasileiros que têm dinheiro a receber, 1,94% seriam moradores do Espírito Santo, percentual que corresponde à participação da população capixaba no total nacional, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As instituições financeiras terão de devolver os valores entre hoje e o próximo dia 14.
O economista, mestre pela Universidade de Oxford, professor de Economia na Fucape, Eduardo Araújo, explica que há outros indicadores que apontam para a estimativa no Espírito Santo.
“Segundo uma pesquisa do DataSenado, aproximadamente 380 mil capixabas realizaram apostas on-line em 2024, o equivalente a 1,87% dos apostadores brasileiros. Se aplicarmos essa mesma proporção aos 26,5 milhões de brasileiros que têm dinheiro a receber das bets, chegamos a aproximadamente 495 mil pessoas no Estado”.
No entanto, ele salienta que é uma estimativa, não um número oficial, mas que utiliza como referência a participação dos capixabas no mercado de apostas, e não apenas o tamanho da população.
Quem também estima que cerca de 500 pessoas no Estado devem receber os valores de volta é o economista, diretor da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan), Marcelo Loyola Fraga.
Ele destaca que a devolução desses valores é positiva, sobretudo para quem enfrenta dificuldades financeiras.
“Minha recomendação é que o apostador utilize esse dinheiro para quitar dívidas, especialmente as que possuem juros elevados, pagar contas atrasadas ou constituir uma reserva para emergências”.
Segundo ele, o mais importante é não utilizar os recursos para realizar novas apostas.
“Essa devolução deve ser encarada como uma oportunidade para reorganizar o orçamento familiar, recuperar o equilíbrio financeiro e evitar o endividamento provocado pelos jogos”.
Já a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) critica a falta de diálogo na construção da medida e espera que o debate seja retomado, seja pelo atual governo, caso permaneça no poder, seja por uma eventual nova gestão.
Saiba mais
A proibição
- Foi determinada pela Medida Provisória (MP) nº 1.394, publicada em 25 de setembro. A medida proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil;
- A regra também alcança os jogos on-line e os chamados cassinos virtuais, como o Jogo do Tigrinho;
- O prazo para os usuários retirarem voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas terminou às 23h59 da última segunda-feira;
- Desde terça-feira, os sites das bets estão bloqueados. Na maioria das plataformas, o usuário é redirecionado para o Brasil Sem Bets, site que reúne orientações sobre o fim das plataformas e a recuperação dos valores. Algumas empresas, porém, exibem mensagens próprias informando sobre o encerramento das operações.
Tire as dúvidas
1. O que acontece com o dinheiro que ficou na conta?
O dinheiro que permaneceu nas plataformas será devolvido aos apostadores. Na última terça-feira, o Ministério da Fazenda informou que ainda havia R$ 1,325 bilhão nas contas dos apostadores. O valor caiu cerca de R$ 5 milhões em relação ao dia anterior.
As empresas tiveram até a última quarta-feira para enviar às instituições financeiras os saldos de cada apostador, identificados pelo CPF, além da conta bancária utilizada para os depósitos.
Os bancos terão de devolver os valores entre hoje e quarta-feira. A partir de 14 de outubro, a Caixa Econômica Federal poderá intermediar a devolução nos casos em que houver algum impedimento.
2. Preciso fazer alguma coisa para receber?
Não. O prazo para sacar diretamente nas plataformas já terminou.
Agora, as empresas de apostas vão enviar aos bancos os dados dos apostadores e os valores que devem ser devolvidos. As instituições financeiras farão a restituição diretamente para uma conta ativa de titularidade do apostador.
3. E quem tinha uma aposta em andamento?
As apostas de quota fixa que estavam abertas e não tiveram o resultado apurado até 5 de outubro serão consideradas sem efeito.
Nesse caso, o apostador terá direito à restituição integral do valor apostado, sem qualquer desconto.
Já os prêmios de apostas cujo resultado tenha sido apurado até o fim desse prazo deverão ser pagos normalmente.
4. Qual foi o cronograma estabelecido?
- 25 de setembro: data da publicação da medida provisória que proibiu as bets e os jogos on-line;
- 5 de outubro, às 23h59: fim do prazo para saque voluntário;
- 6 de outubro: início da indisponibilidade dos sites e aplicativos;
- 6 e 7 de outubro: empresas enviam aos bancos os saldos remanescentes dos apostadores;
- Desta sexta-feira (9) a 14 de outubro: bancos devolvem os valores;
- A partir de 14 de outubro: Caixa pode intermediar os casos em que houver impedimento.
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