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Desabafo de madame
Claudia Matarazzo
Claudia Matarazzo

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Desabafo de madame

Passei grande parte da minha vida justificando o rótulo de “madame”, maldosamente aplicado a minha pessoa desde a faculdade de Jornalismo. Na ocasião, nos anos 1970, em plena abertura da ditadura e em meio ao movimento hippie, era impensável aceitar uma colega declaradamente nascida em uma elite burguesa.

Foi só perto dos 40 anos que percebi que não apenas era inútil negar que era madame, como isso podia ser bom. Afinal, ser madame não é necessariamente ruim, certo?

Com a pandemia, mais irritadas, algumas pessoas, nas redes sociais, voltaram a me chamar de madame (principalmente quando me manifesto contra o Presidente, como se seus apoiadores fossem todos descamisados).

Acredito que madames, “nascidas no privilégio”, têm obrigação de cultivar e desenvolver melhor a responsabilidade social. Por isso, não me envergonho de ser madame.

Assim que foi declarada a quarentena em São Paulo, dispensei imediatamente minha funcionária, com salário integralmente pago, claro. Sou madame.

A louca da vassoura – No primeiro mês de isolamento, me encantei com o fato de dar conta de todo o serviço da casa e, até mesmo, estabelecer uma nova rotina onde não me entediava, pois não havia tempo.

Madame com a barriga no tanque pensava em ajustar seu conteúdo de cursos para o novo normal – e, com isso, já se foram três meses. Madame está meio falida (como tanta gente), mas se aguentando...

Olhando além da janela – Pertencendo ao grupo de risco e com uma mãe de 90 anos, não me atrevi a ir distribuir máscaras e cestas básicas em Heliópolis (SP).

Mas participei ativamente de uma ação que, entre outras coisas, arrecadou e levou mais de
5 mil cestas e 10 mil máscaras para nossa maior favela/comunidade em Sampa.

Da janela – Já fiz muito minha parte em todo tipo de manifestações quando jovem, hoje faço isso através da minha profissão e em minhas mídias.

Massss.... assisto de camarote, como boa madame, a todas – e repito aqui: TODAS as manifestações das ruas, uma vez que minha janela está a apenas 50 metros da Avenida Paulista, onde acontecem.

Isso me deu uma percepção bastante acurada do perfil, e caráter dos manifestantes/atos – sejam eles de qual ideologia forem.

Percebemos pelo tom de voz, a cor das camisetas, os slogans gritados, número de participantes e tempo de duração dos atos.

No último ato, a favor das Vidas Negras, espelhado nas manifestações ocorridas nos EUA e no mundo, constatei o seguinte: enquanto nos EUA e no mundo, as manifestações foram imensas e com muitas pessoas brancas – algumas, inclusive, em maioria –, aqui havia poucos brancos e os atos foram muito menores...

Ora, o Brasil foi o país que mais importou pessoas escravizadas da África: entre o descobrimento, em 1500, e a Lei Áurea, importamos mais de 4,9 milhões de escravos no infame comércio transatlântico da época.

A pouca adesão de brancos aos atos foi por que está tudo azul no País tropical ou por que a elite branca não está nem aí para a causa? Madame aqui está perplexa.
 

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