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RJ e SP registram primeiros casos da subvariante BA.2 da Ômicron

Uma característica importante deste novo subtipo é que ele não gera uma assinatura específica em testes de laboratórios

Redação Tribuna Online | 04/02/2022 22:16 h | Atualizado em 04/02/2022, 22:17

Foi identificado nesta sexta-feira (4) os primeiros casos da subvariante BA.2, da Ômicron, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). São dois casos no estado de São Paulo e um no Rio de Janeiro, na capital fluminense, totalizando três registros no país.

Segundo a CNN, em São Paulo, dados da Rede de Vigilância Genômica da Fundação Oswaldo Cruz (Genomahcov/Fiocruz) mostram que já em dezembro de 2021 uma amostra sequenciada apontou o subtipo no estado. O outro caso foi registrado em uma amostra sequenciada em janeiro deste ano.

Já no Rio de Janeiro, o Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) confirmou a identificação de outro caso. Segundo o órgão, a amostra sequenciada é referente a um caso da capital fluminense.

Uma característica importante deste novo subtipo é que ele não gera uma assinatura específica em testes de laboratórios, evento chamado de falha no alvo do gene S, e pode parecer como outras variantes de coronavírus no primeiro momento, algo que fez a subvariante ser conhecida como “a variante furtiva”.

A BA.2 já foi identificada em alguns países, e tem ganhado força na Índia e na Dinamarca, de acordo com o portal de notícias CNN. Na Dinamarca, a BA.2 agora responde por cerca de metade de todos os novos casos de Covid-19, de acordo com uma declaração recente do Instituto Statens Serum do país. O diretor do Centro Nacional de Controle de Doenças da Índia, Dr. Sujeet Kumar Singh, disse que a BA.2 se tornou a cepa dominante lá.

A CNN procurou as secretarias estadual e municipal do Rio de Janeiro para saber detalhes do caso registrado no município, mas ainda não teve retorno. Também foram questionadas as secretarias municipal e estadual de saúde de São Paulo sobre os casos registrados pela Fiocruz no estado, mas as pastas ainda não responderam.

Sobre a subvariante

Especialistas dizem que não há motivo para pânico. “Entre todas as linhagens da Ômicron, esta é a que apresenta maior aumento de casos. Mas temos que ter cuidado ao interpretar isso, porque aumentos maiores quanto há um número muito baixo são mais fáceis de observar”, disse Ramon Lorenzo-Redondo, professor-assistente de medicina para doenças infecciosas na Northwestern University Feinberg School of Medicine, em Chicago, nos Estados Unidos.

Como a versão mais familiar da Ômicron, a BA.2 tem um grande número de alterações – cerca de 20 – concentradas na proteína spike, a parte do vírus que é alvo das vacinas. Porém, ela não causa a chamada de falha no alvo do gene S nos testes de laboratório, o que significa que pode se parecer com outras variantes do SARS-CoV-2 em uma primeira vista. Por isso, alguns a chamam de “a variante disfarçada” ou “furtiva”.

Lorenzo-Redondo diz que esse apelido fez com que as pessoas pensassem que ela não pode ser detectada em testes de laboratório, o que não é o caso.

Não há indicação de que BA.2 cause a forma mais grave da doença ou dissemine mais facilmente do que a cepa original da Ômicron. Um relatório divulgado na última quinta-feira pela Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido oferece garantias adicionais, sugerindo que as vacinas atuais protegem tão bem contra o BA.2 quanto contra a variante Ômicron original, com melhor proteção contra os sintomas – uma média de 70% – duas semanas após a dose de reforço.

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