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Remédio contra piolho acaba nas farmácias

| 18/06/2020 13:45 h | Atualizado em 18/06/2020, 13:56

Indicado por alguns médicos para ajudar no tratamento de pacientes com coronavírus, o remédio Ivermectina está esgotado em muitas farmácias, apesar de não ter comprovação científica.

A medicação é recomendada para o tratamento de condições causadas por vermes ou parasitas, como piolho, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Na Rede Inova Droganossa, na Ilha de Santa Maria, Vitória, o atendente Elias Ribeiro contou que há duas semanas chegaram 120 caixas, vendidas no mesmo dia.

Na Farmácia Mônica é possível encontrar o remédio apenas manipulado, conforme mostrou a farmacêutica Shaianny Fonseca.

“A indústria farmacêutica foi pega de surpresa. Por isso, o que recebemos logo acaba. A opção tem sido o remédio manipulado”, explicou o diretor da farmácia Delci Pereira da Silva.

A farmacêutica Shaianny Fonseca mostra remédio usado contra piolho


Na foto
A farmacêutica Shaianny Fonseca mostra remédio usado contra piolho Na foto |  Foto: Beto Morais/AT
Juliana Mattos, farmacêutica da Pharmapele, em Vila Velha, disse que a procura tem sido alta. “Em janeiro tivemos três pedido do remédio em shampoo. Este mês recebemos 55 pedidos para cápsulas”.

A alta procura também foi observada na farmácia Alquimia, de acordo com a farmacêutica Raigna Vasconcelos. “Ressaltamos que as pessoas não devem estocar e nem usá-lo sem prescrição”.

Após a filha ter sintomas de Covid e ser indicado o uso do remédio pela médica, a aposentada Angela de Oliveira, 65, passou por cinco farmácias. “A médica indicou que eu usasse também já que moramos na mesma casa. A opção que tenho é manipular”.

Luiza Scardua, farmacêutica da Globo Fórmula, acredita que a partir do mês que vem o abastecimento já volte ao normal.

O presidente da Associação Médica do Estado, Leonardo Lessa Arantes, diz que a droga tem demonstrado bons resultados em estudos iniciais in vitro (a eficácia não foi comprovada no ser humano).

“Precisamos aguardar os estudos que estão em andamento para afirmar a sua indicação formal no tratamento. Mas nada impede a sua prescrição”, finalizou.

Risco para a saúde com automedicação

Com o aumento da procura pelo remédio Ivermectina, mesmo sem comprovação do efeito contra a Covid-19, médicos alertam sobre a automedicação e não recomendam o uso sem avaliação médica.

A pneumologista Ciléia Victoria Martins, da rede Meridional, explicou que a Ivermectina pode dar como efeitos colaterais náuseas, vômitos e gastroenterites. “Tem de ser receitada, já que o médico faz um cálculo em cima do peso da pessoa para indicar a quantidade de remédio a ser tomado”.

O conselheiro e coordenador do Comitê de Crise no Enfrentamento do Coronavírus do CRM-ES, Paulo Gouvêa, disse que órgão não recomenda o uso de qualquer medicamento. “Cabe ao médico assistente a prescrição quando achar que haja indicação”.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que a maioria dos estudos vêm demonstrando que mesmo o uso precoce parece não ter esse efeito teórico, como mostrou recentemente.

Uma caixa com dois comprimidos custa de R$ 10 a R$ 14, podendo variar conforme o laboratório.

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