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Pacientes sem sintomas transmitem Covid-19

| 10/06/2020 10:18 h

O presidente do CRM-ES, Celso Murad, afirmou que, quando a Covid-19 passar, haverá uma 2ª crise na saúde
O presidente do CRM-ES, Celso Murad, afirmou que, quando a Covid-19 passar, haverá uma 2ª crise na saúde |  Foto: Dayana Souza / AT - 13/01/2020
Existem, sim, chances de pessoas sem os sintomas típicos do novo coronavírus, como tosse e febre, transmitirem a doença. É o que afirmam representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES).

A OMS esclareceu na tarde de terça-feira (9) uma declaração da entidade sobre o risco de transmissão da Covid-19 por pessoas sem os sintomas da doença.

“Pessoas com coronavírus, mas sem sintomas (os chamados assintomáticos) também transmitem o patógeno”, afirmou Maria van Kerkhove, líder técnica da OMS.

A afirmação foi feita durante uma entrevista para esclarecer declaração dada pela própria cientista na última segunda-feira (8), que, conforme disse, levou à interpretação incorreta de que assintomáticos não transmitem o vírus.

“Ainda não temos estudos suficientes para saber quantos são os assintomáticos. Trabalhos têm resultados muito variados e alguns indicam até 40% dos casos. Sabemos que eles também podem transmitir o coronavírus, mas não conhecemos a intensidade”, disse.

No Estado, o presidente do CRM-ES, Celso Murad, explicou que os assintomáticos não apresentam os sintomas.

“Pessoas assintomáticas possuem carga viral baixa no organismo, mas isso não significa que elas não possam transmitir a doença. Pelo contrário, às vezes, a pessoa tem contato com uma outra que está com carga viral muito baixa, pega o vírus e piora muito mais do que essa pessoa que passou a doença”, explicou.

Isolamento
O diretor executivo da Organização Mundial da Saúde, Michael Ryan, defendeu, na tarde de ontem, que medidas de confinamento devem ser usadas para interromper o contágio pelo novo coronavírus.

Segundo Ryan, é justamente porque ainda há muitas questões a responder sobre a Covid-19 que a OMS recomenda a vigilância e as medidas de distanciamento físico.

“Mesmo sem dados precisos sobre a transmissão, vários países do mundo já mostraram que, quando fazemos isso, suprimimos o contágio”, destacou o diretor executivo da OMS.

Contágio maior aos primeiros sinais

Estudos mostraram que pessoas com o novo coronavírus são mais infecciosas no momento em que começam a se sentir mal, disseram ontem especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Foi esta característica que tornou tão difícil controlar a disseminação do vírus que causa a Covid-19, mas isso pode ser feito por meio de testatagem rigorosa e distanciamento social, disseram.

“Parece que as pessoas têm mais vírus no corpo no momento, ou perto do momento, em que desenvolvem sintomas, cedo assim”, disse Maria van Kerkhove, epidemiologista e principal técnica da OMS para a pandemia, durante uma sessão ao vivo em rede social.

Estudos preliminares da Alemanha e dos Estados Unidos indicam que pessoas com sintomas amenos podem ser infecciosas durante oito a nove dias.

Principal especialista em emergências da OMS, Mike Ryan disse que o vírus se aloja no trato respiratório superior, o que torna a transmissão por gotículas mais fácil.

“Isso significa que você pode estar no restaurante se sentindo perfeitamente bem e começar a sentir febre, você está se sentindo bem, não pensou em ficar em casa, mas é esse o momento em que sua carga viral pode estar bem alta, na verdade”.

Ryan acrescentou: “E é porque a doença pode se espalhar naquele momento que a doença é tão contagiosa. É por isso que se espalhou pelo mundo de maneira tão não contida, e porque é difícil impedir esse vírus”, explicou.

Bolsonaro cita declaração

O presidente Jair Bolsonaro defendeu ontem flexibilização do isolamento social mesmo após o País ter se tornado o terceiro no ranking de mortes provocadas pelo novo coronavírus

Em reunião ministerial, ele citou declaração não conclusiva feita pela chefe do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) para pregar a retomada da atividade econômica.

Na segunda-feira, a epidemiologista Maria van Kerkhove afirmou que a transmissão da doença por pacientes sem sintomas parece ser rara. A declaração foi baseada em um estudo pequeno e não alterou a recomendação do órgão de saúde de manter o isolamento social.

“Esse pânico pregado lá atrás pela grande mídia começa, talvez, a se dissipar, levando em conta o que a OMS falou por parte do contágio dos assintomáticos”, disse Bolsonaro. Apesar da defesa feita no início do encontro, ele reconheceu, no final da reunião, que a avaliação da epidemiologista sobre os assintomáticos não é comprovada.

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