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Coronavírus

Médica capixaba recebe prêmio por ação na pandemia e propõe "Revolta da Vacina ao contrário"

08/12/2020 16:55:56 min. de leitura

A pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo, que é capixaba e uma das médicas mais ativas no Brasil durante a pandemia de covid-19, foi homenageada nesta terça-feira (8) com o prêmio de personalidade do ano pelo braço carioca do grupo de empresários Lide.

Na cerimônia, que teve o prefeito eleito Eduardo Paes (DEM) como convidado de honra, Margareth se emocionou e fez um apelo para que a população, o poder público e o empresariado abracem a causa da vacinação.

Imagem ilustrativa da imagem Médica capixaba recebe prêmio por ação na pandemia e propõe "Revolta da Vacina ao contrário"
Margareth Dalcolmo, pesquisadora e pneumologista Foto: Divulgação
"Nós precisamos de uma Revolta da Vacina ao contrário. Hoje, ao contrário do que aconteceu naquela época, precisamos que o Rio compareça", disse, referindo-se ao episódio de 1904 em que os moradores da cidade se revoltaram contra a vacinação da varíola coordenada pelo médico Oswaldo Cruz. O sanitarista dá nome à fundação da qual a homenageada faz parte.

"Não é possível que o Rio e as demais capitais brasileiras não vão ter vacina por não ter um freezer que a mantenha a -80 graus Os empresários daqui vão botar freezer", vaticinou, enfaticamente, Margareth, que depois da cerimônia foi procurada pela classe empresarial ali presente.

No mesmo evento, realizado na zona sul do Rio e que teve como tema a responsabilidade social, foram premiados o Movimento União Rio, na categoria empresa, e o empresário Romeu Domingues, que ganhou como liderança empresarial do ano. Quase todos os participantes celebraram a volta de Paes à prefeitura quando foram convidados a discursar. "É uma alegria vê-lo de volta", disse a pesquisadora da Fiocruz para o prefeito eleito.

Paes afirma que conversa com Doria não teve pedido por vacina

Questionado pela imprensa sobre a vacinação no Rio, Paes falou que a conversa entre ele e o governador paulista João Doria (PSDB), citada pelo tucano nesta segunda, não envolveu um pedido formal para envio da vacina CoronaVac. "Eu não sou o prefeito ainda, temos que ter responsabilidade nesse tema. Estou dialogando, meu secretário está conversando. Vamos tratar disso a partir de 1º de janeiro", disse.

Segundo o prefeito eleito, a conversa com Doria se deu por causa da nomeação do tucano Cristiano Beraldo para a Secretaria de Turismo do Rio, e o papo sobre a vacina ocorreu de forma despretensiosa.

"O governador João Doria é uma pessoa com quem me relaciono muito bem, tenho muita intimidade. Ele não faltou com a verdade. Eu disse que gostaria de discutir sim o tema, mas quem tem que discutir são os técnicos", apontou, dizendo que apenas "manifestou uma angústia" ao comentar que gostaria de ter a vacina antes de março. "A gente está na linha de esperar que tenha um programa nacional de imunização, que é o normal."


O que foi a Revolta das Vacinas

Em meados de 1904, chegava a 1.800 o número de internações devido à varíola no Hospital São Sebastião. Mesmo assim, as camadas populares rejeitavam a vacina, que consistia no líquido de pústulas de vacas doentes. Afinal, era esquisita a idéia de ser inoculado com esse líquido. E ainda corria o boato de que quem se vacinava ficava com feições bovinas.

No Brasil, o uso de vacina contra a varíola foi declarado obrigatório para crianças em 1837 e para adultos em 1846. Mas essa resolução não era cumprida, até porque a produção da vacina em escala industrial no Rio só começou em 1884. Então, em junho de 1904, Oswaldo Cruz motivou o governo a enviar ao Congresso um projeto para reinstaurar a obrigatoriedade da vacinação em todo o território nacional. Apenas os indivíduos que comprovassem ser vacinados conseguiriam contratos de trabalho, matrículas em escolas, certidões de casamento, autorização para viagens etc.

Após intenso bate-boca no Congresso, a nova lei foi aprovada em 31 de outubro e regulamentada em 9 de novembro. Isso serviu de catalisador para um episódio conhecido como Revolta da Vacina. O povo, já tão oprimido, não aceitava ver sua casa invadida e ter que tomar uma injeção contra a vontade: ele foi às ruas da capital da República protestar. 

Mais tarde, em 1908, quando o Rio foi atingido pela mais violenta epidemia de varíola de sua história, o povo correu para ser vacinado, em um episódio avesso à Revolta da Vacina.

Fonte: Informações do site da Fiocruz