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Idosos voltam a se isolar enquanto esperam 3ª dose

| 25/08/2021 15:40 h | Atualizado em 25/08/2021, 16:30

Cariacica abre 2.500 vagas para vacinação da segunda dose da Coronavac
Cariacica abre 2.500 vagas para vacinação da segunda dose da Coronavac |  Foto: Divulgação

Depois do alívio em receberem a segunda dose contra a covid-19, muitos idosos se permitiram retornar à normalidade, saindo de suas casas e recebendo a visita de filhos e netos, sem abrir mão dos cuidados básicos, como uso de máscara e de álcool em gel.

Só que, agora, com a repercussão de casos de internações e até mortes de quem tomou a segunda dose, alguns estão voltando a fazer isolamento social enquanto esperam a terceira dose da vacina.

O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados no Espírito Santo, Jânio Araújo, confirma a recuada dos idosos no Estado, sobretudo, dos que têm mais de 70 anos.

“Eles tomaram a segunda dose e acabaram relaxando um pouco, por acharem que estava tudo tranquilo. Só que, após as notícias recentes sobre novos casos, eles estão partindo para uma nova etapa de recolhimento, até que os estudos comprovem a necessidade da terceira dose”, destaca.

Esse isolamento é visto como positivo pelo infectologista Paulo Peçanha, por ser uma forma de prevenção à covid-19. O médico defende também a aplicação da 3ª dose nos idosos, já que estudos indicam que os níveis de anticorpos vão caindo com o tempo.

“Se os anticorpos caem, a proteção contra o coronavírus diminui, e temos variantes mais agressivas circulando. A forma de enfrentar é com a terceira dose e, talvez, até com doses periódicas da vacina”.

O geriatra e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Roni Chaim Mukamal cita que a morte do ator Tarcísio Meira, no último dia 12, gerou muitas dúvidas e incertezas entre os idosos, o que fez com que muitos retornassem para o isolamento.

O médico salienta, porém, que ainda há idosos despreocupados com o vírus. “Realmente, houve um alerta para os idosos, mas não todos. Não foi suficiente”, diz.

Já imunizada com as duas doses da Coronavac, a microempreendedora Leoberlic Dantas Cruz, 68, espera receber a 3ª dose da vacina. “Vai dar um pouquinho mais de segurança, porque sabemos que não existe um tratamento específico contra a covid-19”.

Expectativa

O casal de aposentados Maria Zulma de Freitas e Argentino Bento Corsino de Freitas, 81 anos
O casal de aposentados Maria Zulma de Freitas e Argentino Bento Corsino de Freitas, 81 anos |  Foto: Beto Morais/AT - 10/06/2021

O casal de aposentados Maria Zulma de Freitas e Argentino Bento Corsino de Freitas, 81 anos, está na expectativa de receber a 3ª dose. Eles tomaram a 2ª dose da AstraZeneca em maio e contaram que estão se cuidando, com máscara e isolamento social. “Se tiver a terceira, a quarta e a quinta doses, nós tomaremos todas”, disse Maria.

Duplamente vacinado

Imagem ilustrativa da imagem Idosos voltam a se isolar enquanto esperam 3ª dose
Além de receber duas doses da vacina Coronavac, em abril, o jornalista aposentado Orlando Eller, de 76 anos, tomou duas doses do imunizante da Pfizer, em junho, durante uma viagem ao exterior.

Ele viajou para visitar a filha em Omã, na Península Arábica, fez um teste de imunidade contra o vírus e viu que estava baixa.

Com a oportunidade, recebeu o reforço com duas doses da Pfizer. “Depois, fiz um teste e minha imunidade tinha melhorado bastante”, contou.

“Não se deve privilegiar os adolescentes”, diz pesquisador

Diante de um cenário nacional com circulação da variante delta do coronavírus, mais transmissível, e aumento das internações de pessoas acima de 80 anos, o infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda defende que a prioridade é aplicar a terceira dose em idosos.

“Entender o contexto do País como um todo, que a gente pode avançar na imunização dos adolescentes ao mesmo tempo em que não podemos deixar de lado a 3ª dose nos idosos, é fundamental, e cabe a cada gestor otimizar as doses que recebe e avaliar qual a melhor estratégia”, afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

“O que não tem sentido é privilegiar os adolescentes, porque, na prática, estamos vendo o aumento de hospitalizações nas pessoas acima de 60 anos”, completou.

O infectologista Paulo Peçanha concorda com a priorização dos idosos com relação à população jovem de forma geral.

“A população de idosos corre maior risco de doença grave, no caso de ter uma nova infecção. Então, se os estudos mostrarem que, de fato, a proteção está caindo, é mais importante protegermos essa população mais idosa com uma dose de reforço e, com isso, dar um novo estímulo imune e evitar que eles adoeçam”, ressaltou.

O início da vacinação dos adolescentes no Estado é previsto para até o próximo mês e a aplicação da terceira dose em idosos deve ocorrer em setembro, segundo o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes.


Saiba mais


Entenda

  • A discussão sobre a aplicação da terceira dose da vacina contra a covid-19 tem sido abordada em diversos países nas últimas semanas, devido ao avanço da variante delta do coronavírus, que é mais transmissível.
  • Alguns países, como Israel, já estão ministrando a terceira dose para pessoas com mais de 50 anos. Outros, como a Hungria, abriram para a população em geral. Ainda há aqueles que oferecem a dose de reforço somente para quem recebeu uma vacina específica, como o Chile.
  • O debate sobre o tema divide a opinião de especialistas e cada país tem adotado diferentes orientações sobre a aplicação da dose de reforço.

Discussão no Brasil

  • Estão em andamento no País estudos sobre a aplicação da terceira dose dos imunizantes da Pfizer, AstraZeneca e Coronavac.
  • A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou, no último dia 18, que o Plano Nacional de Imunização (PNI) adote dose de reforço para idosos acima de 80 anos e pessoas com imunidade comprometida que tomaram Coronavac.
  • Apesar disso, no último dia 20, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a aplicação da terceira dose deverá ocorrer somente após o avanço com a 2ª dose.
  • O ministro informou ainda que espera o resultado de um estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra, antes de começar as aplicações. O estudo deve ser concluído entre o fim de outubro e início de novembro.

Terceira dose no Estado

  • A aplicação da terceira dose da covid-19 no Estado depende da quantidade de doses disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, conforme explicou o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, durante coletiva de imprensa na segunda-feira.
  • O governo do Estado está em diálogo com o ministério, mas pretende iniciar a aplicação já no próximo mês.
  • A faixa etária contemplada depende da quantidade de doses enviadas pelo Ministério da Saúde. Por isso, não necessariamente, a aplicação ocorrerá da mesma forma que a primeira imunização dessa faixa etária (de quatro em quatro anos), no início deste ano, podendo abranger o público idoso de forma mais ampla.
  • As vacinas para a terceira aplicação ainda estão sendo definidas. Pode ocorrer uma combinação heteróloga (de vacinas diferentes) ou homóloga (de uma mesma vacina).
  • Mas, o governo do Estado defende que a aplicação da terceira dose ocorra com as vacinas disponíveis, sendo homólogas ou heterólogas.

Fonte: Pesquisa AT e Sesa.

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