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Golpistas usam auxílio emergencial para fazer 166 mil vítimas no Estado

| 03/06/2020 20:08 h | Atualizado em 03/06/2020, 20:19

O Aplicativo oficial Caixa Tem é o único que pode ser utilizado para solicitar e receber o benefício do governo
O Aplicativo oficial Caixa Tem é o único que pode ser utilizado para solicitar e receber o benefício do governo |  Foto: William Moreira — 24/04/2020.

A pandemia do novo coronavírus vem sendo utilizada por cibercriminosos para aplicação de golpes virtuais, tendo como principal alvo o auxílio emergencial do governo federal.

Desde março, no País, foram mais de 14 milhões de golpes relacionados à pandemia, sendo 11 milhões sobre o benefício. No Estado foram 166.412 acessos ou compartilhamentos deste tipo de ataque.

Os dados foram levantados pelo “dfndr lab”, laboratório especializado em segurança digital da Psafe, uma startup que desenvolve ferramentas para telefones celulares. O “golpe do coronavoucher”, como está sendo chamado, já é apontado como o maior cibercrime de 2020.

Segundo Emílio Simoni, diretor do laboratório, apesar de a maioria dos golpes terem objetivos financeiros, em muitos casos, as vítimas acabam tendo roubadas informações privadas de seus aparelhos celulares ou computadores.

“Os principais prejuízos para quem baixa um aplicativo falso estão no âmbito financeiro, mas, também é possível que os criminosos registrem o celular em serviços pagos de SMS, roubem credenciais de acesso a redes sociais e e-mail, vazem dados pessoais, conversas privadas e até mesmo fotos íntimas”, afirma Simoni.

O principal golpe é o que simula a página oficial do auxílio emergencial do governo. Entre os meios de disseminação, o WhatsApp lidera com 90%. No Facebook, o percentual é de 3%, enquanto nas demais redes sociais é de 7%. Ao acessar um desses links, o usuário é incentivado a responder perguntas elaboradas para distrair a vítima e dar credibilidade ao golpe, por exemplo: “Você é beneficiário do Bolsa Família?”.

Após responder às questões, o usuário é induzido a compartilhar o link com contatos ou grupos para supostamente ter acesso ao falso auxílio e, ao fazê-lo, torna-se um vetor de disseminação do golpe.

Outros

O coronavoucher não foi o único método usado por golpistas para roubar dados após o início da pandemia que acabou monitorado pela pesquisa.

Entre os golpes que tomaram maior amplitude estão o da fingiam oferta cerveja grátis em nome da Heineken (620 mil); e assinatura grátis da Netflix (65 mil), e distribuição de álcool em gel pela Ambev (43 mil detecções).

Lojas de aplicativos monitoram programas

Aproveitando-se da pandemia, golpistas criaram programas para chegar às suas vítimas. Foram detectados 270 aplicativos falsos com a temática do novo coronavírus, segundo a pesquisa do “dfndr lab”, laboratório especializado em segurança digital da Psafe.

Aplicativos falsos sobre auxílio
Aplicativos falsos sobre auxílio |  Foto: Acervo/ AT
Os aplicativos receberam mais de 200 mil downloads antes de serem removidos da loja do Google, a Play Store. No site, a empresa afirma que monitora todos os apps e exclui os que se apresentam nocivos para seus clientes.

Até o fechamento desta reportagem, a Google Brasil não respondeu o questionamento sobre os cuidados que toma com aplicativos em sua loja.

Mesmo sem o registro de aplicativos nocivos na Apple Store, a reportagem entrou em contato com a Apple, que informou que “os aplicativos à disposição na loja devem implementar medidas de segurança apropriadas para garantir o manuseio adequado das informações do usuário coletadas, e impedir seu uso, divulgação ou acesso não autorizado por terceiros”.

Ministério da Cidadania diz que casos são investigados pela Federal

Muitas vezes quando o ciberataque envolve apenas o roubo de dados, a vítima acaba não tomando conhecimento, ao menos no primeiro momento, que tenha caído em um golpe. Por isso, o número de casos denunciados acaba sendo pequeno.

De acordo com o Ministério da Cidadania, responsável pela gestão do auxílio emergencial, crimes envolvendo o programa são apurados pela Polícia Federal, e conta ainda com a Advocacia-Geral da União (AGU) na fiscalização e no ajuizamento de ações.

Já a Polícia Civil informa que até o momento não tem registros de pessoas que tenham notado que caíram em golpes virtuais no Estado relacionados ao pagamento do auxílio emergencial.

A Polícia Civil orienta que as vítimas registrem a ocorrência, preferencialmente online, no site https://delegaciaonline.sesp.es.gov.br.


Saiba mais


Aplicativos

  • O único aplicativo idôneo do programa do governo é o Caixa Auxílio Emergencial, encontrado em sistemas Android e iOS. Já para movimentar a conta é o Caixa Tem.

  • Evite aplicativos que prometem oferecer informações sobre liberação do auxílio, dicas de como obter o benefício mais rápido ou sobre datas de saques e pagamentos.

  • Caso note algum aplicativo se passando pelos programas oficiais da Caixa a disposição nas lojas oficiais dos sistemas operacionais, procure os canais de denúncia da Apple Store e Google Play

  • Instale um antivírus em seu celular ou computador e mantenha o sistema operacional do seu celular e computador atualizados.

Páginas na internet

  • Desconfie sempre antes de clicar nos links compartilhados no WhatsApp ou nas redes sociais.

  • Não compartilhe links duvidosos com seus contatos sem antes saber se são autênticos.

  • Cuidado com o imediatismo de mensagens, tais como: “agendamentos liberados até hoje”, “último dia para o saque”, “urgente”, “não perca essa oportunidade”, entre outras mensagens do tipo.

  • Órgãos do governo federal não solicitam dados e informações dos seus beneficiários ou servidores através de links compartilhados no WhatsApp.

  • Nunca preencha nenhum cadastro, formulário ou pesquisa fornecendo seus dados financeiros ou pessoais através de links enviados pelo WhatsApp.

  • Só faça o cadastro para receber ou liberar o auxílio emergencial no site oficial da Caixa Econômica Federal ou nos aplicativos baixados em lojas oficiais.

  • Não acesse nenhum site que se diga da Caixa Econômica Federal e não esteja registrado no domínio .gov.br

  • Ao entrar na página da Caixa verifique se existe um cadeado cinza no canto superior esquerdo do navegador – isso atesta que sua conexão não foi interceptada e que o site está criptografado para impedir golpes.

  • Links seguros começam com HTTPS; o “S” corresponde a um certificado de segurança.

  • Não marque agendamentos para que pessoas compareçam em sua residência sob o pretexto de fazer uma consulta presencial; bandidos podem se aproveitar dessa situação para se passar agentes de saúde e realizar assaltos.

Como denunciar

  • A Polícia Civil orienta que as vítimas desse tipo de caso registrem a ocorrência que deve ser feita, preferencialmente online, por meio da página https://delegaciaonline.sesp.es.gov.br, para que a Polícia Civil tome ciência do caso e inicie as investigações.

  • A Polícia Civil ressalta ainda a importância da contribuição da população, via Disque-Denúncia 181. As informações são fundamentais para auxiliar a polícia e o anonimato é totalmente garantido. As informações ainda podem ser enviadas via redes sociais e pelo App 190 ES

  • Já o Ministério da Cidadania explica que todas as fraudes e ilegalidades relacionadas ao auxílio emergencial são imediatamente informadas à Polícia Federal, e que a Advocacia-Geral da União (AGU) também está atuando na fiscalização e no ajuizamento de ações.

  • Para tornar o ataque mais verídico, alguns golpes se aproveitam de ações reais que grandes empresas estão realizando para enfrentar o novo coronavírus. Neste caso, procure informações nos sites oficiais dessas empresas e não em links compartilhados em redes sociais

Fonte: Ministério da Cidadania, Polícia Civil, Psafe

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