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Diretor de hospital diz ter medo de colapso

| 16/06/2020 14:55 h | Atualizado em 16/06/2020, 15:11

O Diretor Clínico do Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), o antigo São Lucas, em Vitória, Albano Siqueira, disse que tem o temor de um colapso na unidade. E que, por isso, o corpo clínico se mobilizou para montar um relatório que aponta uma série de fragilidades no dia a dia do hospital.

O relatório, ao qual a reportagem de A Tribuna teve acesso, foi encaminhado, segundo Albano, à administração do hospital, ao Conselho Regional de Medicina no Espírito Santo, à Assembleia Legislativa e à Associação Médica do Estado (Ames).

Médico Leonardo Lessa também  tem a mesma preocupação do diretor
Médico Leonardo Lessa também tem a mesma preocupação do diretor |  Foto: Dayana Souza/AT
Presidente da Ames, o médico Leonardo Lessa Arantes, que também atua no HEUE, compartilha de um temor pela iminência de colapso: “Estamos próximos a isso. Só não ocorreu (ainda) pela forte parceria das equipes médicas com o hospital. Mas está próximo do limite. Em alguns casos, além”.

“O HEUE está trabalhando com sobrecarga. As equipes médicas estão subdimensionadas e sob forte pressão em atender todos os traumas da Grande Vitória e ainda lidar com Covid-19”, completou.

Segundo o diretor clínica do HEUE, “tem que fazer malabarismo para colocar todos os pacientes para fazer diálise” na unidade. Esse, inclusive, é um dos pontos do relatório, que indica que há “necessidade de aumentar o quadro de funcionários” e que houve um aumento de demanda, por conta da pandemia, de sessões em pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), “uma vez que a lesão renal aguda é uma realidade na evolução” de Covid-19.

Albano Siqueira acrescentou que não há “um estoque adequado de sedativos” e que em abril o HEUE “bateu recorde de cirurgias”. O relatório pede que haja a “adequação de um setor específico no hospital para comportar pacientes com síndrome respiratória aguda, suspeitos de Covid-19, que não necessitem” de UTI.

O texto relata ainda a necessidade de “aumento do dimensionamento de equipe de enfermagem, especialmente na UTI Covid”. Segundo Albano, o ideal seriam dois enfermeiros para atender 10 leitos – hoje há um. “E um aumento de cinco para sete técnicos de enfermagem para cada 10 leitos, pensando em cada plantão”.

O hospital também precisa de mais um clínico 24 horas para suprir a demanda do setor de Covid-19. “Já trabalhávamos no limite. Temos que tomar cuidados sanitários que exacerbam a sobrecarga. Precisamos de melhorias para levar uma assistência mais segura”.

Sesa afirma que negocia contratações de servidores

Imagem ilustrativa da imagem Diretor de hospital diz ter medo de colapso
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) emitiu uma nota dizendo que a direção do Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, não vê, até o momento, indícios de colapso no atendimento.

Questionada por telefone pela reportagem, a assessoria informou que a visão seria do diretor-geral, Paulo Czrnhak.

Em nota, a Sesa afirmou que houve reunião com a equipe assistencial e a direção do HEUE que tratou dos assuntos mencionados e se mantém “à disposição dos prestadores de serviços médicos”.

A pasta admitiu que já está em tratativas para ampliação do quadro de colaboradores “visando fortalecer as equipes assistenciais”. No entanto, no mesmo comunicado, falou que “o atual número de colaboradores, a equipe profissional da unidade, já atende a demanda do hospital”.

Segundo a Sesa, os pacientes com Covid-19 e que não fazem parte do perfil da unidade são cadastrados no Sistema de Regulação de Leitos do Estado para transferência a uma unidade de referência.

Lembrando que o que o HEUE é uma unidade de porta aberta e de 24h para atendimento ao trauma, o governo do Estado disse que “o hospital atende os requisitos necessários, de acordo com os órgãos oficiais de saúde para o atendimento de pacientes com Covid”.

A pasta negou, em nota, que há falta de insumos ou de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e garantiu que os serviços prestados “se encontram assistidos”.

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