Tecnologia redefine investimentos
Tecnologia redefine investimentos em infraestrutura, com foco em eficiência, inovação e sustentabilidade no novo ciclo global
Tasso Lugon
Tasso Lugon é CEO da Banestes DTVM e especialista em tecnologia, inovação e transformação digital. Reconhecido nacionalmente, lidera projetos que unem setor público e financeiro para gerar impacto e inclusão. Sua trajetória inclui passagens pelo Tribunal de Justiça do ES, Ministério Público Estadual, Prefeitura de Vila Velha e Governo do Estado, sempre promovendo modernização e resultados.
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Durante décadas, falar em infraestrutura significava grandes obras, prazos longos e investimentos elevados. Rodovias, portos, ferrovias e usinas sempre foram associados ao uso intensivo de cimento, aço e máquinas pesadas.
Esse cenário, no entanto, vem passando por uma transformação silenciosa e profunda. A tecnologia assumiu um papel central na forma como esses projetos são planejados, executados e administrados .Hoje, não é mais possível discutir investimentos em infraestrutura sem considerar o impacto direto das inovações digitais.
O movimento acontece em um contexto de retomada global. Um relatório da Oxford Economics aponta que os investimentos em infraestrutura devem ultrapassar US$ 94 trilhões até 2040.
No Brasil, esse avanço também ganha força com a retomada de programas públicos, como o novo PAC, além da ampliação de concessões e parcerias público-privadas.
Mas não é apenas o volume de recursos que mudou. A lógica de investimento também evoluiu. Se antes o foco estava na expansão da capacidade, agora o mercado prioriza eficiência, inteligência operacional e geração de valor sustentável.
Tecnologias digitais passaram a fazer parte dos projetos desde as fases iniciais. Softwares baseados em inteligência artificial, por exemplo, permitem simular cenários, prever falhas e otimizar decisões antes mesmo do início das obras. O resultado é a redução de riscos e melhor aproveitamento de recursos.
Outro avanço importante é o uso dos chamados “gêmeos digitais”. A tecnologia permite criar réplicas virtuais de ativos físicos, possibilitando simulações em tempo real e ajustes contínuos.
Com isso, empresas conseguem antecipar problemas, melhorar o desempenho e prolongar a vida útil de estruturas.
O blockchain também começa a ganhar espaço no setor. A ferramenta é utilizada para garantir maior transparência na rastreabilidade de materiais, automatizar contratos e reforçar a governança dos projetos fatores que aumentam a confiança de investidores e reduzem conflitos.
Com essas mudanças, o interesse do mercado financeiro também se intensificou. Fundos de investimento, bancos multilaterais e gestoras globais têm direcionado recursos para projetos que combinam infraestrutura com tecnologia, especialmente aqueles alinhados a critérios ambientais, sociais e de governança (ESG).
Áreas como energia renovável, mobilidade urbana, saneamento e conectividade digital concentram boa parte desses investimentos.
Mais do que obras, a infraestrutura passa a ser vista como uma plataforma de desenvolvimento econômico e inovação. Em um cenário marcado por desafios urbanos, ambientais e logísticos, a tecnologia se consolida como elemento essencial para tornar projetos mais eficientes, seguros e sustentáveis.
A tendência indica que empresas e investidores que compreenderem essa nova dinâmica estarão melhor posicionados para aproveitar as oportunidades desse ciclo.
O futuro da infraestrutura já começou e ele vai muito além do concreto.
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