search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Conta de luz vai ficar mais cara a partir de agosto

Notícias

Publicidade | Anuncie

Economia

Conta de luz vai ficar mais cara a partir de agosto


Após alta na bandeira vermelha, sobe a tarifa básica (Foto: Arquivo/Agência Brasil)Após alta na bandeira vermelha, sobe a tarifa básica (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Depois do reajuste da bandeira vermelha da conta de luz, que começou a vigorar a partir de junho e teve reflexo de 5,5% em média na fatura, os consumidores capixabas podem se preparar para um novo impacto no bolso nos próximos meses.

A EDP, principal concessionária do Estado, com 1,6 milhão de unidades consumidoras atendidas, deve divulgar seu reajuste tarifário anual até o dia 7. No ano passado, o aumento foi de 8,2%, em média.

Neste ano, de acordo com fontes do setor elétrico, o aumento deve superar 10%, considerando o reajuste de custos de geração e transmissão em todo o País, causado pela crise hídrica. Um dos que preveem isso é o presidente do Sindicato da Indústria de Energia do Estado (Sinerges), Carlos Sena.

Concessionárias que atendem 14 estados já definiram seu percentual de reajuste anual, sendo o maior deles registrado em São Paulo, com impacto de 15,29%, em média. “Esse reajuste vai incorporar alguns dos aumentos de preços percebidos nos últimos 12 meses. A expectativa é de um reajuste de dois dígitos”, afirmou Sena.

Além disso, na última semana, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu um alerta sobre o cenário de grave crise hídrica nos reservatórios de hidrelétricas, sinalizando que a capacidade de geração de energia no País poderá ser levada ao seu limite em novembro, época em que é esperado o início da temporada úmida.

Apesar de o comunicado do ONS afirmar que não há risco de desabastecimento, para o especialista, pode haver interrupções pontuais — ou seja, apagões.

“O nível dos reservatórios está análogo a 2015, mas naquela época o País enfrentava recessão, o que é diferente de hoje, quando há crescimento da demanda e estamos com o mesmo nível. O estresse do sistema será grande, e começa a ter comprometimento da capacidade”, disse o presidente do Sinerges.

Sena ainda vê possibilidade de racionamento de energia durante o verão. “Mas, se for acontecer, será depois de dezembro”, frisou.

Apesar do cenário incerto, segundo o especialista, não há espaço no mercado energético para mais reajustes de bandeira tarifária neste ano. “A não ser que o governo determine um ajuste extraordinário, como ocorreu em 2001, para cobrir os custos das concessionárias com os apagões”, completou.

Trocar eletrodomésticos pode garantir economia

Carlos Sena: horário de pico (Foto: Fábio Nunes - 17/06/2019)Carlos Sena: horário de pico (Foto: Fábio Nunes - 17/06/2019)

Diante do cenário de alta na conta de luz, especialistas recomendam que os consumidores adaptem seus hábitos e até substituam aparelhos para economizar.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Energia do Estado (Sinerges), Carlos Sena, os principais vilões da conta de luz são o refrigerador, ar-condicionado, chuveiro elétrico e até o ferro de passar roupa, além da máquina de lavar.

“Um refrigerador duplex gasta em torno de 80kWh por mês. Já um comum, cerca de 60kWh por mês”, comparou o especialista.

Além disso, ele recomendou a redução no tempo do banho, usando o chuveiro na posição “verão”, e a substituição das lâmpadas de casa por lâmpadas de LED ou fluorescentes, que consomem menos.

“As pessoas aumentaram o consumo em função desses eletrodomésticos, além dos computadores. A dica é usar a lavadora para maiores quantidades de roupa, e na hora de passar, também não ligar o ferro para só uma peça. Também vale desligar os aparelhos que ficam em stand-by, eles gastam 1 kWh por mês, e reduzir o tempo do banho, mantendo o chuveiro na posição 'verão'”, recomendou Carlos Sena.

Trocar o chuveiro de voltagem 127w para 220w também pode ajudar a economizar, de acordo com o especialista. “O chuveiro de 220w reduz a perda de energia no circuito”, afirmou.

Até cerveja tende a subir de preço

O reajuste de 52% no valor da bandeira vermelha da conta de luz, com impacto de R$ 9,49 a mais pela energia a cada 100 kWh consumidos, e que teve início no começo do mês, trouxe impactos em toda a cadeia produtiva.

Segundo levantamento da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), o custo com energia elétrica representa 48% do preço do leite, 34% do valor da carne, 28% da cerveja e 10% do gasto em materiais de construção e açúcar.

“Este acréscimo de custo pode representar, por exemplo, um aumento de 10% no leite e 7% na carne para todos os brasileiros”, estimou a Abrace.

A cerveja e o leite, dependentes da energia elétrica para produção e armazenamento, também podem ficar mais caros, segundo entidades de defesa do consumidor.

Além dos reajustes tarifários e de bandeiras que regulam o consumo, a privatização da Eletrobrás, aprovada pelo Congresso Federal em junho, é outro fator que deve ter impacto na conta.

De acordo com levantamento da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o projeto gera custos de R$ 460 bilhões ao longo de 30 anos, devido a obrigações com a contratação de usinas termelétricas em todo o País, previstas no projeto.

“A contratação de térmicas inflexíveis, ainda que necessária do ponto de vista da segurança energética, não pode ser feita em regiões onde não há demanda, ou sequer infraestrutura de gasodutos”, diz a entidade.


Reajuste acima de 10%


Aumento anual

  • Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o reajuste tarifário anual é um dos mecanismos de atualização do valor da energia paga pelo consumidor, aplicado anualmente, de acordo com fórmula prevista no contrato de concessão.
  • Por contrato, são considerados os custos relacionados à compra de energia elétrica para atendimento de seu mercado, o valor da transmissão dessa energia até a área da distribuidora e os encargos setoriais.

Último reajuste

  • A EDP, que atende 1,6 milhão de unidades em 70 municípios do Estado, ajustou sua tarifa pela última vez em agosto de 2020.
  • para as unidades consumidoras residenciais atendidas de baixa tensão, o reajuste foi de 5,85 %. O percentual médio, considerando pequenos e grandes consumidores, foi de 8,02 %.
  • neste ano, de acordo com especialistas, é esperado um reajuste acima de 10%.

Custos

  • Segundo a edp, 55% do último reajuste corresponderam à compra de energia da UHE Itaipu Binacional, negociada em dólares.
  • Os demais 45% se referem aos custos de transmissão, para transportar a energia das usinas até as áreas do Espírito Santo.

Fontes: EDP e Aneel.

Entrar no grupo do WhatsApp

Quer receber as últimas notícias do Tribuna Online? Entre agora em um de nossos grupos de Whatsapp.