Teste físico, o pesadelo de quem disputa o concurso da Polícia Militar
Candidatos a policial intensificam treinos após edital, mas muitos são eliminados mesmo com bom desempenho nas provas objetivas
Corridas, flexões e exercícios de resistência. Candidatos bem colocados nas provas teóricas de concursos para virar policial em geral são, muitas vezes, reprovados no Teste de Aptidão Física (TAF), que virou um pesadelo para alguns dos que sonham em ingressar na carreira policial.
A estudante Thiffany de Andrade, 21 anos, vai disputar o concurso da Polícia Militar do Espírito Santo, com 1.008 vagas abertas, e tem justamente na etapa física a maior preocupação. “Sem dúvidas, é o que assombra os candidatos”, diz.
Mas ela já está se preparando há seis meses. A rotina inclui treinos aeróbicos duas vezes por semana, com corrida e barra fixa, além de musculação e exercícios de resistência. “Quando não praticamos atividade física, criamos barreiras na mente. Isso sempre foi um tabu para mim. Mas temos de acreditar na gente, e hoje estou conseguindo”.
Na avaliação do candidato Enzo Honorato, para quem não se prepara ou não mantém rotina ativa, o TAF assusta. Isso acontece, diz ele, porque muitos subestimam a exigência física dos concursos.
“Escutamos muito que é só um treino. Só que é um treino que leva tempo. Estou me preparando há três meses e ainda tenho dificuldade em algumas coisas”, relata.
Além da PM-ES, Enzo treina para o concurso do Corpo de Bombeiros. “Tem que equilibrar os dois. Não adianta ter apenas o preparo para os estudos e o corpo não aguentar”, constata.
O TAF sempre foi uma das etapas que mais eliminam candidatos em concursos policiais, especialmente porque muitos deixam para começar a preparação somente após a prova objetiva. É o que reforça Ivone Goldner, diretora pedagógica do CEP concursos.
“No caso do concurso da PM, isso pode ser um erro grave. O edital já foi publicado, e o TAF exige do candidato não apenas condicionamento físico, mas regularidade de treinamento, técnica e adaptação do corpo ao esforço”, diz.
Para o professor José Quirino, da Bravo Concurso e Operação Caveira, o candidato não pode esperar ser aprovado na prova objetiva para começar a treinar.
“Tenho vários relatos de alunos que não conseguiram passar do TAF. Ou ficaram na corrida, ou na barra. É muito triste o aluno se matar de estudar, tirar um notão, mas esquecer de treinar o corpo”.
Os números
- 1.008 vagas abertas na PM
- 4 flexões na barra fixa são necessárias
Em forma
Já passou e vai treinar ainda mais
“A maior chaga do concurseiro é deixar para começar a treinar depois que passa na prova. A chance disso dar errado é de 99%, principalmente se a pessoa sempre foi sedentária”, conta o Luiz Ricardo Matos. Ele sabe o que diz.
Aos 18 anos, já venceu um TAF: foi aprovado no concurso do Iases e considera ter sido mais fácil por já ter o hábito de se exercitar.
Ricardo conta que continua treinando, pois vai prestar a prova da PM e, com isso em mente, já estava fazendo musculação e corrida.
Agora que o edital saiu, ele diz que vai fazer um protocolo de treinamento específico.
Rotina de exercícios
Desde 2023, Ruben dos Santos, 26 anos, estuda para concursos da polícia e já tem uma rotina de exercícios para ajudar no TAF. Mas afirma que é um dos maiores medos de quem presta concurso porque, muitas vezes, o maior foco é na parte teórica.
“As pessoas acabam deixando de lado a preparação física. E aí quando ela vêm, acha que dá, mas o corpo rejeita. Ele não está adaptado para aquele montante de informação física que você quer colocar nele”.
Corrida e bicicleta
Aos 28 anos, Larissa Rocha decidiu prestar o concurso da PM-ES. Será sua única chance, considerando o limite de idade. Para se preparar para o TAF, conta que voltou a correr e andar de bicicleta. Além disso, planeja começar a musculação.
“Andar de bicicleta ajuda. É um cardio. Você só não pode parar. Tem que pegar constância”, diz.
Larissa conta que essa é segunda vez que tenta um concurso. Empreendedora, explica que divide seu dia cuidando da casa, marido, filho adotivo, trabalho e estudos.
Saiba Mais
Concurso da PM-ES
- Com 1.000 vagas para o cargo de Soldado Combatente e 8 para o cargo de Soldado Músico, o concurso será executado pelo Idecan.
- Período de inscrições começa no próximo dia 8 e termina em 8 de julho. As provas estão previstas para ocorrer no dia 16 de agosto.
- A remuneração inicial é de R$ 5.713,99, além de R$ 800 de auxílio-alimentação.
Requisitos
- Altura mínima de 1,65m (homens) e de 1,60m (mulheres);
- Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou permissão para dirigir automóvel, no mínimo na categoria B;
- Ter, no mínimo, 18 anos na data de matrícula no Curso de Formação e, no máximo, 28 anos no primeiro dia de inscrição do concurso;
- Formação de nível médio.
- Tatuagens são permitidas, mas há requisitos. Por exemplo, não podem apresentar símbolos e/ou inscrições alusivos a ideologias terroristas ou extremistas; ou discriminação e preconceitos de raça.
Etapas do concurso
- Exame Intelectual (Prova Objetiva e Redação); Aferição de Idade; Teste de Aptidão Física (TAF); Avaliação Psicológica; Prova Prática de Música (exclusiva para o cargo de Músico), entre outras.
TAF
- São quatro provas. A primeira é flexão na barra física. Minímo de 4 para homens e 1 para mulheres.
- Em seguida, é a prova de agilidadade em 10,5 (homens) e 11,5 (mulheres). A 3ª prova é a de Corrida de 2.400 metros, a ser realizada em 12 (homens) e 15 (mulheres) minutos.
- Por último, os homens terão que realizar, no mínimo, 35 abdominais remador (repetições em 1 minuto). Já as mulheres, 30.
Dicas para o TAF
Margem de segurança
- Segundo Ivone Goldner, diretora pedagógica do CEP concursos, quem pretende disputar uma vaga deve começar a preparação física imediatamente.
- Outro ponto importante é que o candidato não deve treinar apenas “para atingir o mínimo”. O ideal é buscar margem de segurança.
- Também recomenda que monte um planejamento realista até a data da prova já que edital da PMES veio com um cronograma apertado.
Cuidado com a internet
- O professor José Quirino também aconselha a procura de um profissional para se preparar para o TAF. Ele diz que, sem a orientação adequada, o candidato pode realizar exercícios equivocados ou se lesionar. Isso vale tanto para exercícios praticados em casa quanto na academia.
- Reforça ainda que haverá um fiscal na hora do TAF verificando a execução correta dos exercícios. Por isso, orientação profissional também é importante.
- Mas alerta que é preciso tomar cuidado com a internet, já que nem todos que se oferecem têm a capacidade.
Mente
- Profissional de educação física especialista em treinamento específico para o TAF, Leo Romano explica que muitas reprovações acontecem por desgaste precoce, ansiedade ou execução inadequada.
- “A parte mental também influencia diretamente no desempenho. O candidato precisa buscar simular situações reais do teste, aprender a controlar respiração, ansiedade e pressão emocional. Em muitos casos, o preparo psicológico define aprovação ou reprovação”, diz.
Recuperação
- Além disso, sono, hidratação e alimentação são decisivos, segundo Leo Romano. “Não existe performance sem recuperação. O corpo precisa estar preparado metabolicamente para suportar intensidade e volume de treino”, afirma.
- Destaca ainda que a preparação inteligente inclui mobilidade, fortalecimento de joelho, quadril, controle de carga de treino e planilha de corrida, respeitando os demais treinos.
- “A preparação para o TAF da Polícia Militar vai muito além de simplesmente treinar forte”, afirma.
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