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VOZ DO CAFÉ

Vitória como palco mundial do café

Evento internacional em Vitória reuniu produtores, traders e especialistas para discutir café, logística, qualidade, tecnologia e geopolítica

Matheus e Marcus Magalhães | | Atualizado em
VOZ DO CAFÉ

Marcus e Matheus Magalhães

Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro


          Imagem ilustrativa da imagem Vitória como palco mundial do café
Vitória Coffee Summit 2026 |  Foto: Divulgação

Vitória passou boa parte de sua história negociando café com o mundo. Nos dias 20 e 21 de agosto, vimos o movimento contrário: o mundo veio à capital capixaba para discutir café.

Durante dois dias, olhando para a Baía de Vitória, parte do mundo do café sentou-se à mesma mesa. Brasileiros, vietnamitas, colombianos e americanos discutiram produção, consumo, portos, geopolítica e tecnologia.

Para uma cidade cuja história foi profundamente escrita pelo café, havia ali algo maior do que um congresso. Por algumas horas, pudemos dizer, sem exagero, que Vitória foi a capital mundial do café.

Summit consolida Vitória no mapa global do café

O encontro, idealizado pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), ganhou ainda mais significado por acontecer no ano em que a entidade completa 80 anos.

O CCCV nasceu ligado à organização e ao fortalecimento do comércio cafeeiro capixaba. Oito décadas depois, ajudou a colocar o Espírito Santo no centro de uma discussão que hoje envolve muito mais do que produção e preço.

Falamos de consumo, qualidade, rastreabilidade, inteligência artificial, regras ambientais, mercado financeiro, portos e geopolítica. É o retrato do café de nosso tempo.

A mesma saca que sai de uma propriedade no interior capixaba depende de clima, financiamento, infraestrutura, comportamento do consumidor e decisões tomadas a milhares de quilômetros dali.

Sinais que o Coffee Summit deixa para o futuro

Entre os sinais deixados pelo Summit, alguns merecem permanecer conosco.

  • O consumidor quer mais qualidade, origem e diversidade de experiência.
  • O conilon capixaba vive um processo consistente de valorização.
  • Os grandes países produtores começam a enxergar que rastreabilidade e novas exigências comerciais pedem mais diálogo.
  • O crescimento das exportações do Espírito Santo colocou a logística no centro da discussão.

Esse último ponto merece atenção especial. Produzir mais perde parte do sentido quando estradas, terminais e portos não acompanham o mesmo ritmo.

O café capixaba cresceu, ganhou qualidade e conquistou mercados. Agora precisamos garantir que a infraestrutura cresça junto.

De produtor a influenciador nas decisões do setor

Também vimos outro movimento relevante. O Espírito Santo, tradicionalmente reconhecido pela força de sua produção, começou a ocupar com mais clareza um espaço de influência.

Podemos produzir café no interior e, ao mesmo tempo, fazer de Vitória uma mesa permanente de diálogo entre quem produz, compra, industrializa, transporta e consome.

Essa talvez tenha sido a contribuição mais importante do Coffee Summit. Quando reunimos na mesma cidade algumas das principais forças do mercado mundial, elevamos também nossa responsabilidade.

Precisamos transformar relacionamento em negócios, debate em agenda e visibilidade em presença contínua nas decisões que moldam o setor.

O Summit terminou no dia 21. Para nós, o trabalho mais interessante começou depois dele.

Vitória mostrou que tem história, estrutura e legitimidade para ocupar esse espaço. Agora precisamos dar continuidade a essa ambição com a mesma seriedade com que construímos, ao longo de décadas, uma das maiores forças cafeeiras do Brasil.

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