Um estado inteiro em exposição
Evento em Carapina reúne os 78 municípios e reforça cultura, turismo e força do interior
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
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Por alguns dias, o Espírito Santo coube inteiro dentro do Centro de Exposições de Carapina. Na semana passada, a Feira dos Municípios voltou a fazer algo que o estado nem sempre consegue no dia a dia: reunir, no mesmo espaço, a força, a diversidade e a identidade de um Espírito Santo inteiro.
Realizada entre 28 e 31 de maio, no Pavilhão de Carapina, na Serra, a edição de 2026 reuniu os 78 municípios capixabas e transformou essa presença coletiva em cultura, turismo, gastronomia e circulação de gente.
Mas a força da feira não está apenas na dimensão do evento. Ela aparece, sobretudo, na capacidade de dar vitrine a cidades que quase nunca ocupam o centro da conversa pública. Durante alguns dias, municípios sem grande apelo midiático deixam de ser rodapé e ganham destaque como destino, assunto e descoberta.
Isso tem valor simbólico, claro, mas tem também valor econômico. Quando uma cidade mostra seu produto, sua comida, sua tradição, sua paisagem e seu modo de viver, ela amplia o interesse, atrai visitas e fortalece a própria imagem.
Esse talvez seja o ponto mais interessante da feira. Ela nos lembra que o interior capixaba não é periferia do desenvolvimento. Ele é parte central da vitalidade do estado.
O Espírito Santo é pujante porque sua energia não está concentrada em um único polo. Ela está espalhada. Está nas montanhas, no litoral, nas pequenas agroindústrias, no artesanato, nas festas locais, nas cozinhas regionais e no trabalho silencioso de milhares de famílias.
E, quando olhamos com mais cuidado, vemos que grande parte dessa pujança passa pela agricultura. Não como detalhe decorativo, mas como estrutura real. O crédito rural para a agricultura familiar no estado somou R$ 2,58 bilhões entre julho de 2025 e abril de 2026, em alta de 14,4% sobre o ciclo anterior. Ao mesmo tempo, a própria cafeicultura capixaba segue ancorada nessa base familiar, que continua central para um estado que lidera o conilon e ocupa posição de destaque no café brasileiro.
Por isso, a Feira dos Municípios vale mais do que como atração de calendário. Ela funciona como uma espécie de espelho — e o que ela devolve é um Espírito Santo mais amplo, mais rico e mais interessante do que a visão apressada costuma mostrar.
Quando o interior ganha palco, o estado se reconhece melhor. E, quando isso acontece, entendemos que boa parte do que o Espírito Santo tem de mais forte nasce longe dos holofotes, mas muito perto da terra, da família e do trabalho.
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Coluna assinada por Marcus e Matheus Magalhães