Quando as luzes chegam ao norte do Espírito Santo
Segunda edição da Feira Internacional do Café Conilon revela o potencial oculto da região que responde por R$ 137,6 bilhões em investimentos até 2029
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
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O Espírito Santo tem R$ 137,6 bilhões em investimentos previstos até 2029, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves. Boa parte disso caminha para o litoral norte do estado, puxada por indústria, porto e logística.
É um número que vive em relatório e planilha, longe do dia a dia de quem mora em São Mateus. Mas ele aparece, concreto, na escolha de onde eventos decidem acontecer. Achamos que é esse o pano de fundo certo para falar da segunda edição da Feira Internacional do Café Conilon, a FICC, que chega a São Mateus entre os dias 8 e 10 de outubro.
Como curadores do evento, sabemos do risco de falar dele com entusiasmo de quem está por dentro. Preferimos começar de fora, pelo que já estava em movimento antes de qualquer feira existir. O Norte capixaba concentra hoje boa parte da força portuária e industrial do estado.
Em 2024, o governo criou o Parklog Norte Capixaba, programa que organiza portos, ferrovias e áreas industriais em dez municípios do litoral norte, com mais de R$12 bilhões em investimentos projetados. São Mateus, sozinho, já responde por 1,58% do PIB estadual e cresceu 13,5% em população na última década. Somados, esses números contam a história de uma região que deixou de esperar a vez.
A FICC entra nesse movimento como espelho de algo que já estava em curso. O Espírito Santo produz cerca de 70% do conilon nacional, espalhado por mais de 49 mil propriedades.
Mas a feira deste ano não fala só de café. Ela abre espaço para a pimenta do reino, cultura em que São Mateus concentra 35% da produção estadual e que rendeu ao município o título de Capital das Especiarias. Café e pimenta convivendo no mesmo palco é reconhecimento de que o Norte nunca foi uma economia de produto único. Só faltava quem organizasse essa multiplicidade em um só lugar.
No painel de abertura, três das maiores cooperativas cafeeiras do estado, Cafesul, Cooabriel e Nater Coop, vão sentar juntas. Entidades como o Centro do Comércio de Café de Vitória, a Brazilian Spice Association e a Nova ES, agência estadual de atração de investimentos, também estarão lá.
Para quem vive em São Mateus, isso se traduz em algo mais concreto: comércio girando três dias inteiros, hotel cheio, produtores rurais sentados à mesa com compradores sem precisar viajar até a capital. É esse efeito prático, miúdo no dia a dia, que dá corpo aos R$137,6 bilhões que, de outro jeito, ficariam só no papel.
O que nos parece mais interessante nisso tudo é o que o evento revela sobre onde a atenção do estado está se deslocando.
A feira deu palco e nome a uma substância econômica que São Mateus já carregava havia tempo. A luz que chega ao Norte apenas torna visível uma força que a região já sustentava sozinha, há mais tempo do que a maioria imagina.
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Coluna assinada por Marcus e Matheus Magalhães