Toda promessa eleitoral tem uma conta
Entender custos, fontes de recursos e impactos econômicos ajuda o eleitor a avaliar propostas de governo
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Nas eleições, o debate costuma ser dominado por promessas atraentes: reduzir impostos, ampliar benefícios, elevar salários, criar linhas de crédito e aumentar investimentos públicos. O problema é que essas propostas nem sempre são financeiramente sustentáveis ou capazes de entregar os resultados anunciados.
Toda política pública tem um custo. Mesmo quando o benefício parece gratuito, alguém precisa financiá-lo por meio de impostos, endividamento ou redução de outras despesas. Avaliar uma promessa exige mais do que concordar com sua intenção. É necessário perguntar quanto custará, de onde virão os recursos e quais serão seus efeitos sobre a economia.
Uma redução de impostos pode estimular o consumo e os investimentos. Mas, sem compensação fiscal, pode ampliar o déficit público. Da mesma forma, um benefício social pode ser necessário, mas precisa ter critérios de acesso, fonte de financiamento e mecanismos de avaliação. Boas intenções não substituem um desenho adequado.
O endividamento não elimina o custo, apenas transfere parte da conta para o futuro. Quando a dívida cresce sem uma estratégia confiável de estabilização, aumenta a percepção de risco. O resultado pode aparecer em juros mais altos, crédito mais caro, menor investimento, desvalorização cambial e inflação. Assim, uma promessa criada para beneficiar a população pode acabar reduzindo seu poder de compra.
O eleitor pode avaliar as propostas com perguntas simples. Qual problema será resolvido? Quanto a medida custará? Quem será beneficiado? Quem pagará? Existe capacidade para executá-la? Como seus resultados serão avaliados? Sem essas respostas, existe uma intenção, mas ainda não uma política pública consistente.
Recursos públicos são escassos. Destinar mais dinheiro a uma área exige aumentar a arrecadação, elevar a dívida ou reduzir despesas em outra finalidade. Governar significa definir prioridades. Não é possível atender simultaneamente a todas as demandas sem produzir consequências fiscais e econômicas.
Isso não significa rejeitar políticas sociais. A responsabilidade fiscal protege principalmente quem mais depende do Estado. Quando as contas se deterioram, os primeiros cortes costumam atingir investimentos e serviços essenciais. A população de menor renda possui menos instrumentos para se proteger da inflação e dos juros elevados.
O mesmo raciocínio vale para o Espírito Santo. O Estado construiu uma situação fiscal diferenciada, que sustenta investimentos e aumenta sua capacidade de enfrentar crises. Preservar esse patrimônio não significa impedir novos programas, mas exigir que sejam financiáveis, eficientes e compatíveis com uma estratégia de longo prazo.
A qualidade de um plano de governo não está na quantidade de promessas. Está na capacidade de estabelecer prioridades, reconhecer restrições e apresentar soluções executáveis. A campanha termina após a eleição. A conta das escolhas, porém, permanece por muitos anos.
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