Super El Niño e os desafios climáticos do Espírito Santo
Fenômeno intensifica seca, risco de apagões, doenças ligadas ao calor e ameaça lavouras e pastagens, exigindo ação conjunta no Espírito Santo
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O Espírito Santo vive um alerta estratégico diante dos efeitos do El Niño, fenômeno climático que altera chuvas e temperaturas em escala global. O aquecimento anormal das águas do Pacífico provoca secas prolongadas em algumas regiões e temporais em outras, criando vulnerabilidade socioambiental.
O 5º boletim de Monitoramento da Defesa Civil mostra que o Estado já enfrenta seca moderada, com risco de agravamento, ameaça de escassez hídrica, baixa vazão dos rios, incêndios em vegetação, temporais e deslizamentos em áreas urbanas e serranas. Isso exige ações integradas para proteger o abastecimento e as atividades produtivas.
As ondas de calor podem trazer impactos à saúde. Estudos apontam que o calor extremo está associado ao aumento significativo de mortes, sobretudo de idosos. O corpo dos mais velhos tem menor capacidade de regular a temperatura e perceber a sede, ampliando o risco de desidratação, confusão mental e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Além disso, o maior uso de ventiladores e ar-condicionado pressiona o sistema elétrico, elevando os custos, o risco de apagões e a necessidade de acionar usinas térmicas fósseis, impactando o meio ambiente.
No campo, os impactos devem ser fortes. O agronegócio capixaba, dependente da regularidade das chuvas, enfrenta riscos de quebra de safra, aumento de pragas e doenças e redução da produtividade na pecuária. A seca longa compromete as lavouras de café, mamão e hortaliças, e as chuvas intensas podem provocar erosão, perda de solo fértil e alagamento. O alerta da Defesa Civil mostra que o setor deve se preparar para oscilações bruscas, com períodos de estiagem seguidos de temporais concentrados.
Apesar de avanços em resiliência climática, o agronegócio precisa de atenção diante do “super El Niño”. Entre as prioridades, estão o uso de sistemas de irrigação eficientes, tecnologias de monitoramento climático, diversificação de culturas e práticas conservacionistas: terraceamento, plantio direto e recuperação de nascentes. A pecuária deve reforçar o manejo de pastagens e garantir reservas de água e alimento. Os governos e a iniciativa privada devem interagir nesse processo, apoiando os produtores com crédito, assistência técnica e inovação tecnológica.
Os municípios precisam assumir protagonismo, organizar planos de prevenção, apoiar agricultores familiares e fortalecer a Defesa Civil. Os cidadãos também têm responsabilidades: economizar água, evitar queimadas, cuidar dos idosos nas ondas de calor e participar das mobilizações comunitárias. A mídia deve difundir informações sobre riscos e boas práticas.
Mesmo já tendo feito muito em prevenção e adaptação, o Estado precisa seguir com planejamento e solidariedade. O El Niño é um lembrete de que o equilíbrio ambiental está em risco e que a resposta deve ser integrada, pautada pela ciência e pela prevenção. Sociedade, cidadãos, entes públicos e iniciativa privada devem atuar de forma conjunta. Só assim é possível enfrentar os extremos climáticos, com os melhores resultados para a população.
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