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Judicialização e o crescimento das ações por erro médico

Alta de ações na saúde expõe falhas no sistema e reforça necessidade de diálogo e melhoria no atendimento

Eduardo Amorim | 17/03/2026, 13:05 h | Atualizado em 17/03/2026, 13:05
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          Imagem ilustrativa da imagem Judicialização e o crescimento das ações por erro médico
Eduardo Amorim é presidente da Comissão Especial de Direito Médico do Conselho Federal da OAB e conselheiro estadual da OAB/ES |  Foto: Divulgação

O aumento de 30% no número de processos judiciais relacionados à prestação de serviços de saúde no Brasil, com mais de 97 mil ações registradas em 2025, segundo o Conselho Nacional de Justiça, revela um movimento que exige atenção. Mais do que estatísticas, esse crescimento reflete mudanças na relação entre pacientes, profissionais e instituições.

A judicialização da saúde é um fenômeno multifatorial. De um lado, representa avanço democrático ao ampliar o acesso da população aos mecanismos de defesa de seus direitos. Pacientes estão mais informados e conscientes, buscando reparação quando percebem falhas no atendimento. De outro, o aumento das demandas evidencia fragilidades que ainda desafiam o sistema assistencial brasileiro.

Entre os principais fatores associados a esse crescimento estão a sobrecarga de profissionais, falhas na comunicação médico-paciente, ausência de protocolos padronizados e limitações operacionais em instituições. Muitas vezes, o conflito judicial não decorre exclusivamente de falhas técnicas, mas de lacunas no diálogo e na transparência durante o atendimento.

Outro ponto é o impacto na prática médica. O receio de responsabilizações pode estimular a chamada medicina defensiva, caracterizada pela solicitação excessiva de exames e procedimentos para reduzir riscos jurídicos. Embora compreensível, essa postura tende a elevar custos, sobrecarregar o sistema e nem sempre garantir melhores resultados assistenciais.

Diante desse contexto, torna-se essencial fortalecer políticas de segurança do paciente e programas de gestão de risco nas instituições de saúde. Investimentos em treinamento, padronização de protocolos e desenvolvimento de uma cultura voltada à qualidade assistencial são estratégias para reduzir falhas e conflitos.

A humanização do atendimento também deve ser tratada como prioridade. A relação de confiança entre paciente e profissional é um dos principais fatores de prevenção de litígios. Informações claras, consentimento adequadamente documentado e acompanhamento transparente do tratamento contribuem significativamente para minimizar judicializações.

O Poder Judiciário igualmente desempenha papel relevante nesse cenário. A ampliação de métodos alternativos de resolução de conflitos, como mediação e conciliação, pode oferecer soluções mais céleres, menos onerosas e emocionalmente menos desgastantes para as partes envolvidas.

O crescimento das ações judiciais na saúde não deve ser interpretado apenas como um problema jurídico, mas como um indicativo da necessidade de aprimoramento sistêmico. O enfrentamento desse cenário exige atuação integrada entre setor público, iniciativa privada, profissionais da saúde e operadores do Direito, com foco em prevenção, qualidade assistencial e fortalecimento do diálogo para construção de um sistema mais eficiente, seguro e sustentável.

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