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Redação A Tribuna

Um grande passo foi dado na luta contra o câncer de pâncreas

| 21/07/2022, 10:05 10:05 h | Atualizado em 21/07/2022, 10:06

O câncer de pâncreas – sétima causa de morte por câncer no Brasil – é letal e tem opções de tratamento mais limitadas. No entanto, a Medicina vem avançando e fazendo novas descobertas sobre esse tumor, que podem trazer mais qualidade de vida aos pacientes. Por isso, muito tem se comentado, nos últimos dias, sobre essa doença.

Um grande passo foi o estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, na Inglaterra. Cientistas descobriram que, por meio de uma proteína chave, chamada Grem1, é possível reverter o processo que permite que as células cancerígenas do pâncreas cresçam e se espalhem pelo corpo.

No estudo conseguiu-se manipular os níveis da proteína, revertendo a capacidade das estruturas cancerígenas de se transformarem num subtipo mais agressivo, responsável por 90% dos casos de tumor de pâncreas. 

Hoje, os tratamentos disponíveis são pouco eficazes, com menos de 5% de sobrevida em cinco anos. Um grande problema é que o câncer de pâncreas, pela sua localização perto de estruturas vitais do nosso organismo, mesmo em tamanho pequeno já se torna irressecável (sem possibilidade de cirurgia) muito precocemente. 

Em síntese, para um tumor existir, ele tem de inibir nossa imunidade, que está sempre vigilante a cada célula anormal ao nosso organismo. Desta maneira, o tumor sinteriza proteínas capazes de desregular o equilíbrio imunitário e se proliferarem.

No entanto, segundo os pesquisadores britânicos, justamente por evitar essa disseminação, a manipulação da Grem1 poderá levar ao desenvolvimento de novas drogas, caso o efeito seja replicado em humanos.

Os cientistas fizeram testes tanto em camundongos quanto em organoides –complexos celulares que reproduzem a função de um órgão (no caso, o pâncreas). 

Ao desligar o gene que regula a Grem1, as células tumorais tornaram-se invasivas e, em 10 dias, se transformaram no subtipo letal, espalhando-se por outros tecidos. 

Em 90% dos roedores com Grem1 não ativa, o câncer chegou também ao fígado. Já naqueles com níveis normais da proteína, o percentual foi de 15%. 

Os pesquisadores, então, demonstraram que aumentar os níveis de Grem1 pode evitar a agressividade do câncer de pâncreas, reduzindo também o risco de metástase. 

Além disso, eles descobriram que outra proteína, chamada BMP2, está envolvida na regulação da primeira, sugerindo que, juntas, elas são responsáveis pelo comportamento das células de câncer de pâncreas.

O estudo sinaliza que é possível regredir os tumores a um estado que os torna mais fáceis de tratar, e abre portas para a descoberta de medicamentos que recuperam o equilíbrio das nossas defesas. 

Em outros tipos de tumores, como de pulmão e melanoma, isso já é uma realidade, com a imunoterapia. Agora, novas esperanças para os portadores de câncer de pâncreas!

KITIA PERCIANO  é oncologista e membro das Sociedades Brasileira, Europeia e Americana de Oncologia

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