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Redação A Tribuna

Tempos atuais caminham para a fusão entre Igreja e Estado

| 13/12/2019, 09:57 09:57 h | Atualizado em 13/12/2019, 10:02

Os brasileiros, em geral, são de uma cultura que dá pouca atenção à história. Há 128 anos, a República brasileira foi implantada separando Igreja e Estado. Porém, a questão da relação entre Religião e Política sempre nos acompanhou. Os tempos atuais mostram uma aproximação tão forte que pode gerar a fusão entre Igreja e Estado sob o modelo pentecostal.

Quando o Presidente do Brasil afirma que “foi escolhido por Deus”, ele não está falando aos ventos. O Salmo 33, 12 que diz “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor” é interpretado literalmente por ele e seus apoiadores.

Cresce no mundo inteiro uma instrumentalização da religião pelo poder político.

Da noite para o dia, parece que passamos da cultura política que confinava a religião nas sacristias das Igrejas, conforme Constituição de 1891, para a cultura de estilo pentecostal, uma espécie de res publica christiana.

As inúmeras referências religiosas proferidas nos governos atuais da União, dos Estados e municípios, demonstram que a ideia manifestada de se ter no STF um ministro “terrivelmente evangélico” não é tão estapafúrdia. O que está acontecendo com o Brasil?

O filme Divino Amor, de Gabriel Mascaro, com muita competência, aponta para um Brasil de 2027. O retrato que vai se descortinando em cada cena mostra como se constitui uma república religiosa evangélica.

No filme, a atriz principal utiliza de seu trabalho num cartório que cuida da burocracia estatal atendendo casais que requerem o divórcio e, ao finalizar o atendimento, convida-os para os cultos em sua Igreja, de maneira natural.

Por outro lado, os problemas levados ao pastor que presta um atendimento tipo “drive thru”, são lidos na dimensão da fé: “basta ter fé”, “Deus sabe o que faz” e “a recompensa chegará na hora certa”.

Impressiona-nos como o dia a dia das pessoas passa a ser impregnado por esta leitura dos acontecimentos e problemas da vida.

A transformação da cultura vai acontecendo a olhos vistos. Assim, a festa do Carnaval vai dando lugar para a “Festa do Amor Supremo”.

Descortina-se assim um país cada vez mais pentecostal. Cresce a influência da fé religiosa nas atividades políticas e profissionais do Estado.

A Democracia fica ameaçada por essa onda cultural. Não se pode colocar a Justiça a serviço de uma determinada fé religiosa. A Justiça precede as ações do Estado laico e democrático.

Estamos vislumbrando dois caminhos excludentes: uma nação cristã que se funde no poder político como deseja o segmento religioso pentecostal ou a luta pela manutenção de uma nação democrática que garante espaço para todas as experiências religiosas e não religiosas e coloque a justiça como alicerce da vida cidadã.

Edebrande Cavalieri é especialista em Avaliação de Sistemas Educacionais

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