Login

Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista

Tribuna Livre

Imagem do colunista

Telemedicina reduz circulação de CO2 no meio ambiente

05/10/2021 11:16:10 min. de leitura

Com a crescente tomada de consciência social sobre os impactos ambientais causados pela queima indiscriminada de combustíveis fósseis, diversos processos tradicionais passaram a ser analisados sob a ótica ambiental.

Em um estudo realizado, entre março de 2020 e abril de 2021, pela Common Spirit Health, segunda maior rede de hospitais sem fins lucrativos dos Estados Unidos, foi calculado que 1,5 milhão de atendimentos virtuais realizados em suas clínicas impediram que 6,4 milhões de litros de combustíveis fósseis fossem queimados. Esse valor implica na liberação de 15 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Essa realidade se transporta para o Brasil onde centenas de milhares de veículos trafegam para levar o paciente até seu médico, em consultas de revisão para acompanhamento de sua condição. Além das consultas eletivas, com horário marcado, os atendimentos de urgência e emergência geram alto tráfego de veículos a fim de encaminhar aos hospitais pacientes para a avaliação presencial de um especialista.

Esse modo habitual consome milhões de toneladas de combustíveis fósseis mensalmente e é um problema invisível, pois até então não havia modo diferente de se fazer saúde. Devido ao isolamento imposto às pessoas com doenças crônicas e comorbidades pela pandemia que começou em março de 2020, muitos pacientes perderam, por um período, acesso ao seguimento médico, sem o contato presencial. Assim, pela necessidade, o acompanhamento passou a ser realizado por telemedicina, mantendo o elo entre o paciente e o médico.

Se analisarmos os casos em que podem ser realizados o atendimento remoto de forma segura, sob a ótica coletiva, a telemedicina gera também a redução da jornada do paciente otimizando seu tempo. O paciente não precisa se deslocar de sua residência, não precisa procurar estacionamento tampouco ficar aguardando pelo atendimento na sala de espera.

A telemedicina se apresenta como uma maneira de transpor barreiras culturais, socioeconômicas e principalmente geográficas, para que todos os serviços e informações em saúde atinjam todas as populações e ofereçam recursos contínuos para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças e, o melhor, sem emissão de CO2.

Ela vem provar sua qualidade na medida em que todos os dados são armazenados e auditados e beneficia pacientes localizados em áreas remotas do País, pois reduz o custo do deslocamento e melhora a saúde da população local ao oferecer acesso a especialistas em regiões onde não havia nenhum.

Tem ainda uma forte tendência que passe a ser ainda mais utilizada pelas pessoas, pois passou a ser bem vista aos olhos dos médicos, antes ainda relutantes com o uso da tecnologia para atendimento clínico.
O atendimento virtual conquistou os pacientes, que em poucos cliques, puderam estar em contato com um profissional, logo ao sinal da primeira queixa, sem sair de casa, e assim experimentar o benefício da conectividade para o controle da saúde.

Nilo Neto é ortopedista e empresário do ramo da telemedicina.