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Redação A Tribuna

Perder oportunidade de avançar na saúde com a tecnologia

Nilo Neto | 05/11/2021, 09:58 09:58 h | Atualizado em 05/11/2021, 09:58

Digo sempre aos colegas médicos e gestores que a saúde precisa mudar. Mas alguns gestores de saúde, habituados a enxugar gelo, ainda insistem em focar em consertos de ambulância, em agendamento de consultas, em encaixes com especialista em outras cidades com elevação de custos operacionais e, todo dia, enfrentam e acumulam os mesmos problemas.

Chamo esses administradores de gestores Sísifos e olha que já estamos no século XXI. Esses gestores foram condenados, igual a Sísifo da mitologia grega, a rolar diariamente uma pedra montanha acima até o topo. No entanto, ao chegar ao topo, o peso e o cansaço promovidos pela fadiga fazem com que a pedra role novamente até o chão e, no outro dia, os gestores começam tudo novamente em uma rotina exaustiva e desmotivadora. 

Diversas ferramentas, assim como recursos estão disponíveis para auxiliar na solução dos maiores entraves operacionais, porém o gestor precisa primeiro tomar consciência do problema que enfrenta e, a partir disso, buscar ferramentas que enfrentem esses entraves. A assistência à saúde pública, assim como a medicina está em constante evolução, e quem não acompanhar vai sempre enfrentar os problemas do mesmo jeito. 

Um exemplo de ferramenta indispensável à gestão da saúde pública é a telemedicina, a qual tem o poder de aumentar a resolutividade dos profissionais na atenção primária, instituir protocolos de assistência a pacientes de maior risco em unidades de pronto atendimento, bem como, disponibilizar consultas especializadas à população, tudo com alto índice de resolutividade e viabilidade operacional.

O gestor que não utilizar da telemedicina como aliada na saúde vai se tornar refém eterno da batalha de Sísifo. Irá durante o dia olhar para uma pilha de solicitação de exames de alto custo e imaginar quanto vai gastar no consórcio; vai ouvir reclamações que uma consulta com o especialista está demorando um ano para responder; que está sem motorista disponível na van para levar os pacientes para consulta no hospital de referência; sem ambulância para dar suporte ao Pronto Atendimento (PA), pois as duas estão em manutenção ou ainda que precisa contratar mais profissionais de saúde, pois nunca consegue fechar a escala de plantão. Ao terminar o dia, tem a sensação de ter carregado pedregulhos, para, no dia seguinte, responder as mesmas perguntas do dia anterior, mas feitas por pessoas diferentes e com a mesma indignação.

A telemedicina está numa fase de validação do serviço para o atendimento clínico, através de diversas iniciativas de atendimento para Covid-19 assim como teleconsultas eletivas. É necessário que o gestor se habitue com essa ferramenta, pois vai lhe trazer flexibilidade e praticidade no dia a dia. Já existem diversos serviços de telemedicina voltados para especialidades eletivas assim como urgência e emergência e os gestores precisam aprender a lidar com as novidades do setor. 

O SUS, principalmente, precisa abraçar essa causa e incorporar as ferramentas que tem à disposição, desviar o olhar da inovação expõe a sociedade ao risco de não ter o tratamento correto.

Nilo Neto é ortopedista.

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