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Redação A Tribuna

Para priorizar a saúde, o tempo precisa ser nosso aliado

Virgínia Altoé Sessa | 26/07/2022, 11:48 11:48 h | Atualizado em 26/07/2022, 11:49

O direito à saúde é uma conquista garantida por lei. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, define que todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe e a sua família, saúde e bem-estar, cuidados médicos e outros benefícios.

Já no contexto brasileiro, temos o Sistema Único de Saúde (SUS), que reflete o direito à saúde garantido pela Constituição de 1988.

Tais conquistas refletem a responsabilidade dos governos de garantirem o acesso da população em geral a serviços emergenciais e tratamentos diversos a serem disponibilizados pela rede pública de saúde, seja no âmbito federal, estadual ou municipal.

Diante dos muitos problemas sociais e econômicos enfrentados por milhões de brasileiros, o SUS é a única opção de grande parte da nossa população. Em contrapartida, percebemos a dificuldade do sistema em atender uma demanda que só cresce.

E em muitos casos, há doenças que não podem esperar e a população enferma sente na pele as consequências de um atendimento precário.

Segundo a recente pesquisa Datafolha/Oncoguia, chamada “Percepções da População Brasileira sobre o Câncer”, 63% dos brasileiros escolheram o câncer como a doença que deve ser tratada como prioridade pelos governos.

Embora seja uma doença assustadora, o diagnóstico de câncer não é sentença de morte. Mas, o sucesso do tratamento depende, entre outros pontos, do diagnóstico precoce e do tratamento, que deve ser iniciado o quanto antes. Assim, as chances de cura se elevam.

No final da década de 80, uma pesquisa realizada no Harlem Hospital Center, em Nova Iorque (EUA), pelo médico americano Harold Freeman revelou que o índice de cura de câncer de mama das pacientes negras era menor em relação às brancas. 

Ao analisar e pesquisar o motivo da diferença, Freeman descobriu que as negras não conseguiam aderir ao tratamento da mesma forma por serem mais pobres e terem menos acesso aos cuidados necessários.

Foi aí que o especialista idealizou o conceito de navegação do paciente, ou seja, desenvolveu um desenho de gestão, que vai do diagnóstico ao pós-tratamento, levando em conta que o tempo faz toda a diferença e impacta diretamente na vida do paciente.

Sabemos que boa parte das doenças não começa de um dia para o outro, elas vão se desenvolvendo, muitas vezes, de forma assintomática, e depois se manifestam por meio de pequenos sinais do corpo. 

Por isso, é de fundamental importância que o sistema público de saúde invista na disponibilização de exames de rastreio, que detectam a doença em estágio inicial. No caso do câncer, por exemplo, quanto antes ele for diagnosticado, maiores as chances do tratamento ser bem-sucedido. 

É de vital importância que os governos priorizem uma assistência ágil e eficaz a todos os pacientes. E quando falamos em medidas que priorizam a vida, o tempo precisa ser um aliado. 

VIRGÍNIA ALTOÉ SESSA  é médica oncologista

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