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Redação A Tribuna

Os perigosos diagnósticos na consulta ao “Doutor Google”

| 03/03/2021, 10:28 10:28 h | Atualizado em 03/03/2021, 10:32

Pelo menos uma vez na vida, a maioria dos internautas já recorreu à web para esclarecer dúvidas relacionadas à saúde, seja por curiosidade ou para ter uma resposta rápida a respeito de alguma enfermidade.

Segundo dados do Google, uma a cada 20 pesquisas realizadas no buscador está relacionada à saúde. Não há nada de errado em pesquisar sobre quaisquer assuntos na internet, mas é preciso cuidado. Dependendo do tema investigado, isso pode gerar preocupações desnecessárias ou considerar insignificante um problema potencialmente sério.

Uma pesquisa da Universidade Edith Cowan, na Austrália, apontou que a maioria dos "diagnósticos" feitos com base em pesquisas do Google está errada.

Em boa parte das vezes, o paciente não entende o que lê no site ou olha informações equivocadas e isso pode desencadear reações que prejudicam o tratamento, como crises de ansiedade, pânico e automedicação.

O número de internautas realizando autodiagnósticos aumentou de 40% em 2016 para 40,9% em 2018, ano em que 79% dos brasileiros admitiram fazer uso de medicamentos sem prescrição médica.

O levantamento foi feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), entidade de pesquisa e pós-graduação na área farmacêutica. As crises de ansiedade causadas por um autodiagnóstico podem ter várias consequências. Por exemplo, pesquisar quadro de diarreia pode trazer diversas possíveis causas, inclusive o câncer, pavor de quase 100% dos “pesquisadores”.

Grande parte das doenças pesquisadas, na maioria das vezes, trazem um possível diagnóstico de doenças oncológicas e, em muitas pessoas, isso desencadeia um quadro inicial de pânico, muitos deles desnecessários.

Hoje, pacientes já chegam com algumas certezas vindas das buscas e até enviam para os médicos links de seus “achados” e chegam a confrontá-los com o direcionamento do especialista.

A urgência por respostas rápidas para as suas perguntas traz outra preocupação: o encaminhamento de “diagnósticos” e terapias sem evidência para pessoas que estão em grupos de mensagens com milhares de indivíduos. Esse comportamento trouxe à tona um panorama ocupado pelos chamados “cibercondríacos”, aqueles pacientes que se autodiagnosticam por meio de pesquisas na internet.

Uma pesquisa de 2019, realizada com 570 médicos registrados na Doctoralia, plataforma de agendamento de consultas, apontou que 73% desses profissionais receberam algum questionamento de seus pacientes no ano anterior sobre saúde que, ao final, descobriu-se ser apenas um boato.

Mais recentemente, com a chegada da pandemia de Covid-19, observamos uma realidade povoada de fake news. Milhares de pessoas recebendo e compartilhando mentiras e gerando desinformação e medo quanto aos protocolos de saúde e segurança com relação à doença.

O mesmo já se apresenta com a vacina: desde dados errôneos quanto à sua eficácia a supostas mutações advindas da imunização. As plataformas digitais são ferramentas eficazes em diversas frentes, mas nenhuma busca substitui uma consulta médica, que ajudará o paciente a trilhar todo o caminho na busca por suas respostas e pela solução dos seus problemas, se eles existirem.

Virgínia A. Sessa é oncologista.
 

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