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Redação A Tribuna

O alerta que vem da cidade de Rio Bananal no Espírito Santo

| 06/03/2021, 11:24 11:24 h | Atualizado em 06/03/2021, 11:27

Nesta semana o Brasil ultrapassou a trágica marca de 260 mil mortos pela pandemia de Covid-19. São quase 11 milhões de contaminados. Nesta semana, aliás, atingimos a maior média móvel de mortos por dia, alcançando o lamentável e desesperador número de quase 2.000 pessoas falecidas num único dia. Sem dúvida alguma estamos no pior momento desde que a pandemia começou!

Se há alguma esperança para que possamos vencer o vírus e retomar a vida que conhecíamos e tanto amávamos, essa esperança está na administração da vacina ao maior número possível de pessoas, no menor espaço de tempo.

Ultrapassar esse desafio, no entanto, não tem sido uma tarefa fácil. Além das dificuldades logísticas enfrentamos, também, a dificuldade na obtenção do número suficiente de doses. E, como se não bastasse tantos problemas e dificuldades, ainda temos que lidar com outros contratempos.

No Espírito Santo uma “sabotagem” fez com que 133 doses da vacina fossem perdidas. O caso ocorreu em Rio Bananal, Norte do estado. O município de 19 mil habitantes recebeu 479 doses da vacina em Janeiro.

Logo após o Carnaval, no entanto, a coordenadora de imunização do município constatou que, durante o feriado, alguém havia desligado, de forma proposital, a energia do prédio que armazenava as vacinas. Todo o estoque de vacinas contra a Covid-19 foi perdido. Outras vacinas e insumos também ficaram com o uso comprometido.

Em uma rápida e eficiente investigação, a Polícia Civil do ES conseguiu identificar o responsável pela ação. Uma criança de 9 anos desligou o relógio de energia do local sem imaginar que, com sua atitude, comprometeria o programa de vacinação de sua cidade. Tudo não passou de uma brincadeira que poderá impactar no número de doentes e mortos.

O caso é trágico e merece algumas reflexões. Em primeiro lugar, vale o reconhecimento do trabalho investigativo realizado pela Polícia Civil, que rapidamente desvendou o mistério. Em segundo lugar, fica o alerta a todos os gestores de nosso País.

É imprescindível que mudemos nossa cultura de acreditar que nada de ruim vai acontecer com nossas estruturas críticas.

Hospitais, postos de saúde, delegacias, reservatórios de água e outra infinidade de locais que, se atingidos por atos de sabotagem podem colocar em risco a vida das pessoas, precisam contar com um protocolo mínimo de segurança orgânica.

É inadmissível, por exemplo, que uma unidade de saúde que armazena vacinas contra a Covid-19 mantenha exposto, ao alcance de todos, o dispositivo que permite desligar a energia do prédio.

Mais de 100 doses da preciosa vacina foram perdidas. Se o caso, no entanto, ocorresse em uma capital, o estrago certamente seria muito maior. Que o caso sirva de alerta e que os gestores não se descuidem da segurança!

Eugênio Ricas é adido da Polícia Federal nos Estados Unidos.
 

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