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Tribuna Livre

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Infância roubada e mão armada!

23/09/2021 11:10:32 min. de leitura

Sem as armas para lhe dar suporte, o tráfico de drogas não acabaria, mas perderia bastante da sua suposta valentia, que na verdade não passa de vergonhosa covardia, ainda que sob forma de absurda ousadia, que infelizmente vem fazendo parte do dia a dia.

No fundo, o tráfico esconde o ser fracassado, que nele se arruína, derrotado, pela morte ainda em vida, da qual fez um tormento, que semeia por onde passa, daí o meu profundo lamento.

Sentimento que ainda mais aumenta devido à frieza como se vale da imaturidade da infância, roubando sonhos e esperança, aliciando o vulnerável adolescente/criança, cativando-o a se associar a esta fúnebre vida, pondo-o a perder, desde cedo, a noção da dignidade que existe em lutar para vencer, ao invés de resumir-se em uma desprezível condição de matar ou morrer.

Não existe solução mágica para mudar essa realidade trágica, porém o fato de atingir mais diretamente esse ou aquele bairro carente, parece acomodar-nos socialmente, como se a rotina de morte de tanta gente, não fosse bem mais grave do que outros fatos que nos levam a expor a indignação, frequentemente.

Como é possível, meu Deus, num contexto onde, não raro, é penoso até o básico para comer, uma arma chegar tão fácil à mão de um adolescente/criança, deixando-o por conta de sua própria política afirmativa, o auge da infância de forma tão negativa?

Embora, com muito esforço, seja crescente o número de apreensões, isto, por si só, não significa a redução das tensões, já que a banalização, assim como, a clandestinidade, alimentam um incalculável arsenal em circulação, armas incrivelmente sofisticadas e de última geração.

Como arma não nasce em pé de árvore, para isto existe fácil vacina: todas tem o seu dna, da fabricação até o momento de uma alarmante chacina!

Porém, apesar do percurso por uma via longa, tragicamente assassina, tratando-se de um mal previsível, que desde o início se vaticina, as omissões são absorvidas pelo inescrupuloso contexto, pelo qual ninguém se responsabiliza ou assina!

Fato é que em plena época de pandemia, com tamanha retração da economia, armas alcançam recordes de vendas e produção, disparando o gatilho que eleva o valor de uma ação, pouco importando se atingirá essa ou aquela combalida nação, como exemplificam Brasil e Afeganistão!

Esse mal que se difunde, muitas vezes nos confunde: afinal, são muitas nações que dizem fazer o bem, combatendo o tráfico como ninguém! Aliás, defesa da infância é lema que costumam muito anunciar também!

Contudo, não se engane devido à maneira dissimulada: a política de armas é decisiva para essa confusão generalizada, sendo inegável a contribuição para uma sociedade muito mais abalada, pois não poderia, de forma alguma restar assimilada, uma única pessoa menor de idade tragicamente armada, quanto mais a forma como essa situação cada vez mais ganha contornos de cruel vulgarização!

Luiz Antônio de Souza Silva é promotor de justiça e escritor.