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Inclusão no sistema de vacinação vai além do agendamento online

| 24/08/2021, 10:56 10:56 h | Atualizado em 24/08/2021, 10:58

No momento em que as maiores preocupações estão voltadas para a variante delta, que é mais transmissível do que as outras cepas do vírus da Covid-19, com possibilidade de produzir reinfecção e agravamento de casos em pessoas que ainda não se vacinaram completamente com as duas doses, há necessidade de atenção para incluir uma política de equidade nas campanhas de vacinação.

O sistema de agendamento da vacina precisa ser revisto, para que a imunização chegue a todos das faixas prioritárias. A estratégia centrada exclusivamente no agendamento online tem gerado exclusão e desigualdade de acesso à vacinação.

O agendamento eletrônico tem sido um aliado na estratégia de vários municípios, pois cumpre o papel importante de dar vazão à vacinação das doses disponíveis e também auxilia na organização da fila virtual das vacinas, evitando aglomeração e risco. Contudo, não se pode pensar na ação como um fim em si mesmo. A campanha de vacinação não pode ser centrada exclusivamente no agendamento por meio da conectividade.

Há muitas pessoas que não têm acesso à internet, pois a inclusão digital não chegou a todos. E uma questão tão séria, que define a vida ou a doença, não pode estar centrada exclusivamente na conectividade de um agendamento online ou a qualquer sistema informatizado.
Constatei isso em visita a uma querida amiga, de 76 anos, moradora do bairro Ulisses Guimarães, em Vila Velha. Ela não havia tomado a segunda dose da vacina, por dificuldade de acesso ao agendamento online.

Encontramo-nos no melhor momento para inserção de métodos de maior inclusão no sistema de vacinação. Risco baixo, em termos de saúde pública, ou seja, momento em que há UTIs disponíveis para os que adoecerem e necessitarem de tratamento intensivo.
Por outro lado, há risco de uma terceira onda, devido aos baixos índices de imunização alcançados no Brasil, quando comparados com outros países.

Faz-se necessário buscar os melhores meios, com eficiência e cientificidade, para alcançarmos o objetivo de imunização do maior número de pessoas, lançando mão de instrumentos que permitam a inclusão de todos às doses da vacina.
Já está evidenciado que somente pelo agendamento online não é possível fazer chegar vacina a todos; portanto, é necessário que se promova uma alteração no curso da campanha de vacinação de alguns municípios.

Agendar diretamente nas Unidades Básicas de Saúde e realizar campanhas de busca ativa voltadas ao Serviço de Saúde da Família são ações que podem representar o acesso à vacina que, em muitos casos, está centrada somente no ambiente tecnológico. É hora de dar um salto de inclusão nos agendamentos da aplicação da vacina.

Rafael Gumiero é mestre e doutor em administração, gestor executivo na Ufes junto à Diretoria de Inovação.
 

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