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Redação A Tribuna

Educação financeira é aliada no combate ao endividamento

| 13/02/2020, 08:23 08:23 h | Atualizado em 13/02/2020, 08:25

Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) indicam que cerca de metade dos brasileiros (48%) tiveram o CPF negativado em pelo menos algum momento dos últimos 12 meses, em função de dívidas atrasadas.

Entre os motivos que levaram a esta situação, estão a retração na atividade econômica, o prolongamento do elevado nível de desemprego (que foi em média de 11,3%, em 2016; 12,8%, em 2017; 12,3%, em 2018; e 11,9%, em 2019, de acordo com dados do IBGE), a redução no orçamento familiar e a falta de planejamento das famílias.

Além disso, as políticas de acesso ao crédito, associadas à facilidade de utilização do cartão de crédito, à complexidade das políticas bancárias, entre outros motivos, contribuíram para esta situação.

Isso porque, ao avaliar os dados específicos sobre o endividamento das famílias brasileiras, que constam no referido trabalho, para dezembro de 2019, tem-se que a principal atividade que contribuiu para esta situação foi a bancária, seguida pelo comércio e pela comunicação.

Outro ponto que chama a atenção na pesquisa é que o público com idades entre 30 e 49 anos representou 45,8% dos devedores e teve 48,3% das dívidas, embora participe com 41% do público-alvo da pesquisa (que, por sua vez, refere-se a pessoas com idades entre 18 e 94 anos).

Ou seja, a participação dos que estão endividados nesta faixa etária supera a sua respectiva representatividade na população brasileira.

Ainda sobre esse público, com idades entre 30 e 49 anos, vale lembrar que se refere exatamente àquele que deveria estar inserido no mercado de trabalho e ter atingido o auge de seu nível de qualificação profissional.

Por isso, a preocupação com dívidas pode se tornar um problema a mais para essas pessoas, especialmente para aquelas que estão desempregadas e que podem, em suas famílias, não ter outra fonte de renda.

Sobre essa questão, é importante considerar que, em momentos de prosperidade financeira das famílias, é comum as pessoas seguirem esta tendência e alterarem/ampliarem seu padrão de consumo.

Contudo, estas pessoas, na maioria dos casos, não foram ou não estão preparadas para momentos de retração, já que nesses períodos é preciso realizar um planejamento financeiro, reavaliar o orçamento, rever conceitos e alterar o padrão de consumo.

Por isso, medida como a implantação de educação financeira, especialmente na base escolar, pode ser um importante instrumento para que as pessoas aprendam, desde cedo, noções de planejamento e de orçamento familiar, para os diversos momentos da economia.

Essa ação, embora talvez possa não trazer efeito no curto prazo, irá gerar benefícios à sociedade no longo prazo, a partir do momento que os cidadãos que receberem esse conhecimento virem a se inserir no mercado de trabalho e a se tornarem consumidores.

Leandro Lino é vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES)

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