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Redação A Tribuna

Covid afeta sono dos brasileiros

| 09/06/2022, 10:19 10:19 h | Atualizado em 09/06/2022, 10:19

Em recente pesquisa publicada em maio na ‘Sleep Science’ promovida pela Associação Brasileira do Sono, avaliaram-se aspectos de qualidade e duração do sono durante a pandemia em 6.360 pessoas em todo o País.

Foram observadas dificuldades para iniciar ou manter o sono bem como o despertar precoce. 

Também foi investigado quem tem pesadelos, ronco, apneia do sono, bruxismo, sonambulismo e síndrome das pernas inquietas e também questões relacionadas à saúde mental com ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout.

Na pesquisa, verificou-se que 70% tinham alteração no sono, três ou mais vezes por semana e as dificuldades enfrentadas eram para iniciar o sono, pegar no sono e o despertar precoce, antes do horário.

Além disso, 80% dos entrevistados relataram alguma queixa relacionado à saúde mental, e 50% tinham sintomas relacionados à depressão, sendo que em 20% esse sintoma durou mais da metade do dia e 29% referia-se a isto acontecer durante quase todo o dia. 

Ansiedade e preocupação excessiva foram encontrados em 58% dos participantes e 26% se sentiam assim mais da metade do dia e 32% que isso ocorria quase todo dia.

O alarmante do estudo é que apenas um terço destes indivíduos, que apresentavam sintomas relacionados à ansiedade e depressão, procurou atendimento médico, portanto, seguem sem tratamento ou intervenção. 

Existe um subdiagnóstico, pessoas doentes que não procuraram orientação médica e prolongaram o problema que agora tende a ser visto nos consultórios, como uma das sequelas da covid, que nós denominamos como covid longa ou covid crônico.

É preciso estar atento aos problemas de saúde que os distúrbios de sono podem causar como a vulnerabilidade a infecções virais, ao desequilíbrio inflamatório oxidativo/antioxidante, a doenças metabólicas e cardiovasculares, crônicas como diabetes, obesidade, entre outras.

Com resultados de pesquisas como essa, fica mais visível as necessidades da população que sobreviveu a pandemia e com isso direcionando a saúde para esse importante problema que atingiu a população.

Para ter mais saúde e desempenhar as atividades, é necessário amparo psicológico, psiquiátrico para todos. Os problemas psiquiátricos e do sono afetam diretamente o bem estar e produtividade sendo grandes os prejuízos individuais e coletivos. Foram muitas as perdas, entes queridos, financeiros, além da situação de medo vivenciada durante a pandemia. 

Para o retorno as atividades pós-pandemia, seja para o trabalho ou para a escola, estão retornando indivíduos emocionalmente e psicologicamente doentes, afetando diretamente o bem estar individual, e coletivamente uma redução na produtividade, necessidade de afastamento e faltas ao trabalho bem como maior risco de acidentes.

 É necessária uma conscientização da população da necessidade de buscar atendimento profissional, bem como de políticas públicas que facilitem a abordagem e tratamento desses indivíduos, a fim de mitigar sofrimento e perdas financeiras decorrentes desse adoecimento da população.

JESSICA POLESE é presidente da Associação Brasileira do Sono Regional Espírito Santo.

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