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Tribuna Livre

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Câncer de mama em dois tons de rosa

27/09/2021 09:58:03 min. de leitura

Dentro de alguns dias, começa a campanha Outubro Rosa, um movimento conhecido mundialmente que tem como objetivo valorizar um segmento muito importante da saúde feminina: a prevenção e o diagnóstico do câncer de mama, o tipo que mais acomete mulheres no Brasil e no mundo.

Enfatizar a necessidade do autocuidado, da realização dos exames periódicos e de políticas públicas voltadas para o acesso à saúde é de fundamental importância para ajudar as mulheres e alertar a sociedade. Por isso, profissionais de saúde, pacientes e entidades de diferentes segmentos se unem em prol dessa causa.

E mesmo com toda essa mobilização, muitas mulheres descobrem a doença em fase avançada, quando já se espalhou para outros órgãos.

Fato agravado pela pandemia, quando muitos serviços não funcionaram e pacientes interromperam consultas e a realização de exames de rotina.

Exames de rastreio, como mamografia, deixaram de ser feitos regularmente, o que levou a uma descoberta tardia de várias doenças, inclusive tumores.

Visando dar visibilidade às pacientes que enfrentam o câncer de mama metastático, foi lançada há cinco anos a campanha Outubro Rosa Choque. O objetivo é dar notoriedade a estas mulheres e mostrar que é possível ter qualidade de vida, mesmo quando se passa por um diagnóstico de tumor mais avançado.

E quando um tema tão importante e desafiador é debatido, é impossível não exaltar a admirável força interior de todas as mulheres que não se deixam vencer pelos percalços e limitações trazidos pela realidade do câncer, mesmo em meio ao medo e a tantas incertezas.

A campanha Rosa Choque, essa extensão do Outubro Rosa, vem destacar pontos importantes nesse universo repleto de nuances. Um deles é desmistificação do câncer metastático, muitas vezes visto como algo que “não tem mais jeito”.
Pelo contrário, já existem diversas alternativas para oferecer às pacientes uma vida com qualidade, esperança e novos significados. E não faltam exemplos que mostram essa realidade.

Da mesma forma que é preciso dispor de toda atenção e cuidados aos casos de câncer de mama descobertos na fase inicial, é fundamental acolher e cuidar das pacientes acometidas pela doença metastática.

Ainda que a ciência não disponha de uma cura definitiva para os casos avançados, a neoplasia pode, sim, ser tratada e acompanhada de perto, visando à estabilização ou redução do crescimento dos tumores e o alívio dos sintomas causados pela doença.

E cada conquista nesse sentido é uma vitória diária. E por que não uma “cura” diária? E nessas releituras, podemos construir e dar um novo significado às situações que antes geravam apenas comoção e desesperança.

Debater esse tema é mostrar que as pacientes não estão sozinhas e que a luta jamais será em vão. O progresso da ciência traz a cada dia mais esperanças em um cenário que já foi muito desolador, mas que hoje pode ser visto como uma jornada repleta de desafios e muitos tons de rosa.

Virgínia Altoé Sessa é médica oncologista.