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Tribuna Livre

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Black Friday e o desafio de conquistar os consumidores

25/11/2021 10:45:48 min. de leitura

A inflação e a falta de dinheiro são fatores impeditivos da Black Friday, evento que promove uma série de descontos em produtos de diversas lojas do Brasil e do mundo. Já a desconfiança no comércio é um profundo fator impeditivo, mas do terreno sociológico.

A nossa Black Friday desta temporada, que neste ano será no dia 26 de novembro, pode frustrar boa parte do comércio. A mais recente pesquisa realizada pelo site “Reclame Aqui” indica que 53% não pretendem comprar na Black Friday. A pesquisa foi realizada nos dias 8 a 11 de novembro, com a participação de 31.367 respondentes.

Há três vetores que entraram no radar da pesquisa que merecem ser destacados. Sendo que, dos três vetores que merecem ser observados com lupa, dois são econômicos e um é profundamente sociológico, pois está arraigado no nosso ethos social, e diz respeito à desconfiança do nosso consumidor em nossa rede de comércio.

O primeiro vetor considerado impeditivo pelos consumidores é a alegação de que tudo anda muito caro por conta da pandemia. Este percentual na pesquisa atingiu 9,3% e carrega a percepção de que o aumento do nível geral dos preços vai afetar ou já afetou os produtos/serviços que deveriam ser vendidos, no mínimo, pela metade do preço.

É sabido que a inflação é um problema sério para o comércio, pois tira do consumidor capacidade do poder de compra. Obviamente que a atual inflação tem características bem diferentes de outros processos inflacionários já ocorridos no País, e ela tem vínculo direto com a quebra das cadeias produtivas que levaram a um violento choque de oferta. Tudo causado pelo perverso processo pandêmico.

O segundo vetor impeditivo a ser considerado é o aperto no orçamento doméstico. Este também se encontra no terreno econômico, pois é sabido que a pandemia tirou tudo de quem já não tinha, e varreu as reservas de quem tinha. Portanto, atualmente, quem não tinha nada depende muito do financiamento social do governo federal, e os que outrora tinham, vão começar, novamente, um processo de formação de reserva. Este segundo vetor representa um razoável percentual de 14,1%.

Já o terceiro vetor impeditivo se distribui em dois fatores, a saber: primeiro, os preços são maquiados e não há promoções de verdade; e segundo, não confia na promoção, pois é uma “Black Fraude”. Esses dois grupos somam 43,9%, que é um percentual bastante alto.

Este último vetor se encontra dentro do terreno sociológico, pois indica que o nosso “tecido social consumidor” não acredita no nosso modo de produção capitalista. A rede de consumo brasileira tem a percepção de que o nosso comércio, que faz parte do sistema de distribuição de mercadorias e serviços, tem como premissa “fraudar para lesar” os consumidores. 

Essa questão traz uma séria reflexão, a saber: não é somente o Estado Brasileiro que precisa de reformas, mas o mercado brasileiro urge de reforma ético-econômica para que se possa modernizar o capitalismo brasileiro. Boa Black Friday!

VANER CORRÊA é economista e conselheiro do Corecon-ES.