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Redação A Tribuna

As dores femininas ignoradas ao longo da vida

| 24/06/2022, 10:50 10:50 h | Atualizado em 24/06/2022, 10:50

Milhões de mulheres em todo o mundo sofrem de dores crônicas e muitas vezes passam anos convivendo com patologias que não recebem a atenção e tampouco o tratamento adequado. Infelizmente, quadros desse tipo começam bem cedo, antes mesmo da adolescência.

Muitos são os motivos que impedem a pouca atenção a tais sofrimentos: barreiras econômicas, fatores psicossociais e uma cultura que revela como boa parte das dores femininas é  encarada.

Podemos dizer seguramente que a maioria das mulheres já passou por situações de indiferença e até constrangimentos ao relatarem suas queixas, seja na família, no seu círculo social e até nos consultórios médicos. Ao falarem de suas dores, não é nada incomum ouvirem coisas do tipo “casa que passa”, “isso é coisa de mulher”.

Em meio a essa cultura que perpassa gerações (alimentada, inclusive por outras mulheres), vemos (ou não vemos) sérias doenças que sendo ignoradas e agravadas por não receberem um diagnóstico precoce a tempo de serem tratadas com a dignidade que precisam e merecem.

Um dos problemas mais ignorados no universo feminino são as cólicas menstruais, que afetam mulheres de todas as idades. 

Não faltam relatos dramáticos de pessoas que passaram por sucessivos momentos dolorosos causados por esse problema, tão ignorado por anos e anos e pode esconder doenças femininas muito sérias. Uma delas é a endometriose, patologia que afeta entre 10 a 15% das mulheres no Brasil, sendo um dos principais sintomas as cólicas intensas. E um dos seus desdobramentos mais graves é a infertilidade.

Um estudo recente, publicado no Journal of Pediatric and Adolescent Gynecology, descobriu que a endometriose é mais comum em adolescentes. Foram analisadas 1.243 meninas com dor pélvica e, dessas, 64% foram diagnosticadas com a doença. 

Essa realidade é mostrada todos os dias por meio de relatos, inclusive de personalidades conhecidas, como jovens atrizes, bloqueiras e influencers, que descobriram o problema após anos de sofrimento e falta de investigação e tratamento adequados.

No geral, todas as pessoas podem sofrer de dores crônicas em algum momento da vida, mas vemos que a população feminina está entre as mais afetadas em razão de todo o descaso que muitas pacientes recebem ao contarem suas queixas. Por se tratarem de dores tão comuns, frequentes e não letais, não recebem a atenção devida.

Mudar esse quadro é uma necessidade urgente. Primeiro, as mulheres precisam se conscientizar de que dor não é normal, seja ela recorrente, rara ou comum. É fundamental buscar ajuda com um médico que ouça suas reclamações e realize uma investigação e promova o tratamento ideal.

Igualmente importante é promover uma assistência digna a todas as mulheres. A saúde deve ser priorizada por meio de políticas públicas que oportunizem o acesso a consultas, exames e tratamentos que muitas delas hoje não conseguem ter e, por esse motivo, é algo que nunca podemos deixar de lutar e cobrar de nossos representantes.

THAISSA TINOCO é médica ginecologista e mastologista.

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