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Amar a mente é cuidar da vida

06/09/2021 09:24:30 min. de leitura

Nunca falamos tanto sobre saúde mental quanto nos últimos meses – o aumento do estresse, do medo e do luto durante a pandemia ficou evidente em todo o mundo e resultou também no aumento de sintomas de ansiedade, depressão e do consumo de álcool, por exemplo. A campanha mundial Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio, chega novamente reforçando sobre a importância dos cuidados com a mente.

Um estudo recente realizado pela Universidade de Calgary, no Canadá, com dados de mais de 80 mil jovens de várias regiões do mundo, estimou que 25% dos jovens desenvolveram sintomas fortes de depressão e 20% apresentaram sintomas de ansiedade neste período.

Vimos também um aumento nos casos de ideação suicida. Tudo isso é preocupante e merece atenção. Vale lembrar que a adolescência é um período crítico para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e muitos problemas de saúde mental aparecem antes dos 14 anos.

É fundamental compreendermos que transtornos psiquiátricos não dependem de etnia, gênero, sexo, religião ou classe social – podem afetar qualquer pessoa em qualquer etapa da vida. Por isso é importante estarmos atentos a sintomas recorrentes e procurarmos ajuda profissional. Precisamos ultrapassar as barreiras dos preconceitos sobre a psiquiatria.

Hoje existem diversas possibilidades de tratamento para transtornos da mente e o ideal para cada um só poderá ser definido após a avaliação médica adequada.

Pessoas em extremo sofrimento psíquico podem ter ideias sobre tirar a própria vida para aliviar a dor que sentem – é essencial que sejam acolhidas, pois tratamentos atuais têm grande eficácia para lidar com os sintomas e pensamentos causados pelos transtornos. Ninguém precisa enfrentar as dificuldades da vida sozinho.

O atentado contra a própria vida ocorre por um conjunto de fatores, pois cada indivíduo tem uma história única e reage de diferentes maneiras às situações cotidianas.

Conflitos interpessoais, questões de identidade e gênero, bullying, dificuldade para lidar com o estresse, abuso de substâncias e transtornos mentais (como depressão) podem desencadear pensamentos sobre o fim da vida, por isso não devem ser ignorados.

Com o isolamento social, a instabilidade financeira, o desemprego, o luto, entre muitas outras mudanças nas rotinas de todos durante os meses de pandemia, o cuidado com a mente precisa ser real e redobrado.

Precisamos prestar atenção, inclusive, na nossa saúde mental e emocional quando acessamos a internet, hoje presente em grande parte da rotina da maioria das pessoas. Isso, que nos permite com facilidade a socialização, o compartilhamento de ideias e a troca de experiências, nem sempre é positivo ou real.

Muitas pessoas, especialmente os jovens, têm dificuldade para filtrar o que absorvem do excesso de informações nas redes.
Cuidar da mente é cuidar da vida. Por isso, campanhas como a deste mês, de prevenção, são tão necessárias. Sempre que a dor parecer insuportável, busque ajuda. Todos nós precisamos de apoio em diferentes momentos da vida.

Fábio Olmo é psiquiatra.