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Colunista

Redação A Tribuna

Alerta para o risco de outros desastres em meio à pandemia

| 04/06/2020, 07:00 07:00 h | Atualizado em 04/06/2020, 07:04

Neste início de ano, o País se depara com algo inusitado que expõe a fragilidade de nossa sociedade em enfrentar um desastre relacionado a infecções virais dessa magnitude. Da falta de estrutura hospitalar até o desafio de atingir um ponto de equilíbrio entre o isolamento social e a necessidade de fazer a economia girar, passando pela dificuldade da população em manter hábitos de higiene e de prevenção condizentes com a situação.

Por tais motivos, é notório o caráter prioritário que devemos dar ao combate à pandemia do novo coronavírus. Nesse aspecto, o governo do Estado está totalmente focado em ações, que, por óbvio, custam dinheiro.

Somado às questões de queda de arrecadação, temos também o aumento de recursos destinados à assistência da população menos favorecida e aos novos desempregados, gerando um aumento na procura dos serviços públicos.

Educação, saúde, assistência e segurança são áreas que serão mais demandadas e necessitarão de mais recursos.

Outra complicação são as aquisições que não estavam no planejamento orçamentário, deixando o governo extremamente fragilizado em seu caixa.

Entretanto, não podemos deixar de olhar um pouco mais à frente. Olharmos para depois da pandemia ou concomitante a ela.

Falo dos eventos climáticos extremos, como a chuva e a seca. Eles não esperarão a pandemia arrefecer para mostrar seu lado negativo. Devemos trabalhar fortemente as questões de prevenção.

Será que o Estado e os municípios terão fôlego para dar suporte e assistência aos afetados por esses possíveis desastres? As ações de combate à pandemia e a queda de arrecadação imporão uma situação ainda mais difícil.

Mas o alerta é que, sendo seca ou enxurrada, o Estado não terá a mesma capacidade de apoiar os municípios, refletindo num menor poder de assistir à população.

A ideia é que os municípios reforcem as ações de prevenção para esses possíveis momentos de infortúnio, contando com a participação efetiva da população.

Trazendo um outro fator complicador e após analisar diferentes dados, podemos intuir que as mudanças climáticas são uma realidade e seus impactos estão aí e tendem a aumentar.

Uma importante ferramenta para nos prepararmos de forma condizente é o Fórum Capixaba de Mudanças Climáticas, que possibilita uma construção de políticas públicas realmente efetivas e com resultados práticos.

Pelas dificuldades já mencionadas nessa roda viva, é imprescindível que a população assuma o protagonismo de seu bem-estar.

Desde pequenas coisas, como deixar de jogar lixo em encostas, a criar uma percepção de risco mais forte, até questões mais complexas, tais como evitar os adensamentos populacionais em áreas de risco (com famílias numerosas e de baixo poder aquisitivo) e o exercício da cidadania de forma plena e republicana.

O mundo deverá se moldar a uma nova realidade. Devemos trocar o vigiai e orai, pelo orai e fazei.

ANDRÉ CÓ SILVA é coronel do Corpo de Bombeiros e coordenador estadual de Defesa Civil.

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