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Redação A Tribuna

A música emoldurada

Manoel Goes Neto | 10/02/2022, 11:35 11:35 h | Atualizado em 10/02/2022, 11:36

Para os apreciadores dos discos de vinil, o que mais atrai nos “bolachões”, em primeiro lugar é a capa e o encarte, quase um quadro. Sendo possível ver os detalhes das fotos ou ilustrações. Acredito que os artistas caprichavam mais na produção dessa parte do que da própria gravação dos vinis.

Manipular o disco de vinil, o toca-discos, o braço, a agulha e até mesmo ligar o aparelho de som, principalmente se forem as vitrolas antigas, são experiências que muitas pessoas com menos de 30 anos não têm, mas ao ouvirem o som do vinil passam a gostar desse “novo barato”.

Em segundo lugar, é a ideia de pertencimento. Aquele álbum é seu e, se quiser que ele funcione sempre, precisa cuidar. Não deixar cair, arranhar, nem nada do tipo.

O disco de vinil atrai curiosidades e tudo o que está no seu universo reivindica atitudes simples, mas a operacionalização é bem diferente daquilo que muitos estão acostumados hoje em dia.

Escutar música a partir dos CDs, pelo streaming, tocadores de MP3 ou no próprio computador é tarefa muito simples para os mais novos, que já foram “alfabetizados” para a manipulação do digital.

Mas passar a usar o vinil como uma opção de mídia sonora requer novas instruções. E muitos dos que têm mais de 30 já esqueceram. Imaginem os que têm menos idade?

Entretanto, o que tenho observado é que a juventude, ao se deparar com o universo do vinil, passou a gostar tanto deles quanto das outras mídias. E a sonoridade que sai dos vinis lhe agrada muito.

Creio que devido ao som mais grave que é muito mais motivante que nas mídias digitais, onde esta frequência é menos sentida.

Entretanto, os jovens não trocam seus players, MP3, e seus celulares com Deezer, Spotify ou outros, mas conseguem conviver com o analógico e o digital, em matéria de música, sem qualquer pudor ou distanciamento.

E aprendem com muita facilidade, característica da nova geração, as questões que envolvem os vinis.

Era hábito escrever nas capas dos vinis dedicatórias, declarações de amor. Uma maneira interessante de registrar momentos importantes, marcar um amor antigo ou uma amizade consolidada.

Ao mesmo tempo, é um pouco triste. Se o vinil chega até nós com estas lembranças escritas, passados 30, 40, 50 anos; algo de errado aconteceu neste caminho. O namoro chegou ao fim (?), a amizade foi desfeita (?), alguém partiu dessa pra melhor(?).

E hoje, vendo alguém comprando aquela declaração de amor num disco “Roberto Carlos 1971”, que vendeu mais de um milhão de cópias, em um sebo qualquer, não deixa de ser bem pitoresco.

Agora a famosa questão: o som é melhor? Eu gosto e, pra dizer a verdade, acho o som do vinil deliciosamente diferente.

Manoel Goes Neto é escritor e diretor no Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo.

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