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Papo de Família

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Colunista

Cláudio Miranda

Uma marca no corpo e na alma

Há muita gente que sofre por uma marca no seu corpo. Você tem uma cicatriz? Como você se relaciona com ela?

Cláudio Miranda, Colunista de A Tribuna | 23/04/2022, 14:53 14:53 h | Atualizado em 23/04/2022, 14:53

É difícil encontrarmos uma pessoa que não tenha uma cicatriz.  Ela  é o sinal de que sua ferida se curou bem. Na  maioria das vezes, é uma marca de uma cirurgia ou de uma ferida no passado. Cicatrizes te incomodarão até o dia em que você se dá  conta de que elas são os sinais de sucesso do processo de cura de um problema que poderia ter causado algo pior. Você tem uma cicatriz? Como você se relaciona com ela?

Há muita gente que sofre por uma marca no seu corpo. Ela tem a ver com a sua capacidade de superação. É a constatação da vitória sobre o problema que você tinha. Você se lembra da história de cada cicatriz que tem em seu corpo? Cicatriz da cesárea que lhe deu um filho ou a da cirurgia que lhe permitiu viver. Todas são motivos de alegria e comemoração. 

Muitas pessoas focam sua atenção nos traumas e experiências negativas vividas no passado. Elas focam apenas na perda e no desamparo. Provavelmente sua fragilidade emocional seja um dos aspectos que não te deixam superar aquela dor do passado. A cicatriz não é mais uma ferida. Não há mais por que sofrer.

Quem não consegue viver bem com suas marcas, acaba transferindo-as para a alma e coração. O seu emocional pode se desequilibrar de tal forma que passará a incorporar, com mais frequência, os aspectos negativos da vida. Quando passamos de modo saudável por um momento de dor, normalmente nós crescemos e nos fortalecemos interiormente e espiritualmente.  

Se você é uma pessoa que se sente triste ou envergonhada por ter essa marca no seu corpo, é importante que faça as pazes com ela. Agradeça a cada uma das cicatrizes à saúde que você tem hoje. Mesmo as cicatrizes emocionais nos ensinam novos caminhos, novos comportamentos. É importante ressignificar e aceitar a própria dor e fazer as pazes com a sua história de vida.

No processo natural de cura, nossos machucados acabam sarando com o tempo e com as estratégias medicamentosas. No entanto, há pessoas que desenvolvem uma capacidade de imortalização de suas feridas, provavelmente para receber atenção e afeto alheio. Se acostumam a receber migalhas afetivas e desaprendem a se relacionar de forma emocionalmente saudável. Me lembro de um mendigo na minha adolescência que impedia a cura do seu machucado  na perna retirando as casquinhas para receber esmolas na rua. Muitas pessoas têm o mesmo comportamento, às vezes, inconscientemente. 

Nem todo mundo lida com a dor e com os problemas de forma saudável. Dessa forma, acabam agravando o problema já existente, ou criando outros. Para muitos, esse momento de superação pode ser mais difícil. Nesse caso, a busca por uma ajuda terapêutica pode ser uma boa alternativa de solução do problema. Do ponto de vista da saúde mental, a terapia terá dois efeitos benéficos para você. 

O primeiro é interromper esse hábito de carência e de vitimização. O segundo será fortalecer, em você, a sua capacidade de se desenvolver de forma positiva e harmônica com o mundo à sua volta. Nossas cicatrizes têm mais a serem comemoradas. São marcas do sucesso em nós.

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