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Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Cláudio Miranda

Papo de Família

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Cláudio Miranda

Um grito silencioso de socorro

09/10/2021 08:25:50 min. de leitura

A automutilação tem crescido assustadoramente nos últimos anos, a partir dos 12 anos de idade. Consiste na prática mais comum de agredir o próprio corpo fazendo pequenos cortes na pele.

Normalmente, não há uma intenção consciente de suicídio e nem de chamar a atenção. A automutilação é um grito de socorro silencioso do adolescente. É um sinal claro de que algo não vai bem com ele e precisa de ajuda urgente.

Ao se cortar, o jovem não busca a dor física, necessariamente. A automutilação indica uma dificuldade em lidar com seus próprios sentimentos. Nessa idade, há uma grande cobrança social de produtividade e de sucesso.

É comum se sentir angustiado, amedrontado, triste e confuso. Muitos adolescentes, equivocadamente, veem nessa prática uma forma mais rápida de aliviar o seu sofrimento. Mascaram a dor psicológica na dor física ao cortarem a própria pele.

Como a dor emocional continua, ele segue se cortando, criando um tipo de ciclo até que alguém perceba e preste um socorro, ou pare, por si mesmo, depois de um longo tempo de sofrimento.

Alguns poderão carregar ao longo da vida a sensação de solidão e de desamparo por não terem recebido ajuda ou por não terem sabido pedir socorro.

A automutilação tem ligação estreita com a dificuldade de comunicação entre pais e filhos, e com a fragilidade das relações interpessoais nesse momento que antecede a vida adulta.

Os pais e professores poderão detectar esses problemas no jovem quando perceberem uma mudança no seu padrão comportamental ou quando se mostram mais arredios e isolados.

Se o filho era bem falante, passa a ficar mais calado e se mostra mais apático e solitário em casa ou na escola. Em alguns casos, pode mostrar-se mais agressivo ou dar sinais de baixa autoestima. É preciso traçar medidas preventivas e protetivas para jovens com esse tipo de problema.

A equipe escolar precisa estar atenta aos possíveis sinais de comportamento diferente que um aluno pode apresentar, usando blusas de frio mesmo em dias quentes, isolado do grupo, com sinais de baixa autoestima e depressão.

Ao se identificar esses casos, o educador deve acolher esse aluno, estabelecendo um diálogo de reciprocidade e compreensão, sem qualquer forma de julgamentos.

O sofrimento do adolescente pode estar relacionado a situações como dificuldade na escola, problema na família ou com o grupo de amigos.

É preciso conversar com os responsáveis pelo aluno e verificar como está o convívio familiar. Os pais, muitas vezes, não percebem o problema, que poderá ir se agravando com o tempo.

Muitos pais acham que usar roupas de mangas longas é um estilo da idade. Porém, esse comportamento esconde um problema muito sério que precisará de uma rede de apoio bem estruturada na família e na escola para que seja superado.