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Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Cláudio Miranda

Papo de Família

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Cláudio Miranda

Pais sem tempo ou sem interesse?

16/10/2021 11:31:32 min. de leitura

É compreensível que alguns casais tenham pouco tempo para conviver com os filhos por causa da sobrecarga do trabalho, mas, mesmo assim, precisam encontrar formas de amenizar o impacto da sua ausência na vida dos filhos. 

Por mais que sejam ocupados, a “ocupação” com os filhos é sagrada. A presença materna e paterna tem uma importância fundamental na formação e na educação dos filhos para a vida futura. Pais que não têm tempo para seus filhos correrão risco de ver outros influenciando o comportamento e a vida deles.

Não existem pessoas tão ocupadas que não consigam inserir o seu filho na sua vida diária. Quando temos interesse em alguma coisa sempre arrumamos um tempo para fazer o que gostamos. Então, nessa linha de pensamento, podemos dizer que existem pais desinteressados pelos filhos e não necessariamente ocupados. 

Os que trabalham muito não precisam se sentir culpados por isso, mas devem saber reservar um tempo para os filhos na sua agenda diária de atividades. Tempo é interesse. Aos que dizem que realmente não têm tempo mesmo, esses devem se perguntar a razão pelo qual tiveram filhos.

Com o passar do tempo, a criança perceberá que não pode contar com a presença dos pais. Alguns poderão compensar essa falta de alguma forma. Outros poderão desenvolver um comportamento de insegurança e medo levando esse sentimento para a sua vida adulta. Fique atento aos seus filhos. 

Há um ditado que diz: “A mão que balança o berço é a mão que governa o mundo”. Há coisas que são intransferíveis. Se você não estiver lá fará falta, e em casos mais graves, poderá ser esquecido afetivamente por seu filho. Uma família em que o pai e a mãe se fazem presentes fará diferença na autoestima e na autonomia de um filho. 

Mesmo que você tenha que trabalhar o dia todo, compense a sua ausência ao chegar em casa e nos finais de semana. Fique atento ao seu filho. Amor e carinho de pai e mãe são insubstituíveis. Por melhor que seja uma empregada ou uma escola, elas não conseguirão ocupar o seu lugar. 

O tempo demasiado investido no trabalho pode ser compensado com atitudes muito simples e fáceis. 

Sempre que encontrar com os filhos, depois de um tempo de ausência, crie o hábito de perguntar sobre como foi o seu dia, o que fez, com quem conversou, do que gostou, o que o aborreceu. 

A falta de comunicação tem sido um dos maiores vilões na relação familiar. Se o filho ou você não estiver interessado no diálogo, talvez o problema já tenha se agravado. 

Não desista! Mesmo que não tenha hábito, mesmo que fique sem graça, se posicione como pai e como mãe. Tome o seu lugar.

Cláudio Miranda é terapeuta individual e familiar, psicopedagogo clínico, pós-graduado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP