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Papo de Família

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Colunista

Cláudio Miranda

Pais ausentes ferem os filhos

| 21/08/2021, 09:26 09:26 h | Atualizado em 21/08/2021, 09:36

Cláudio Miranda
Cláudio Miranda |  Foto: A Tribuna
Uma cena muito comum para muitas crianças: tomar banho, colocar uma roupa limpa, pentear os cabelos e esperar o pai buscar na casa da mãe para um passeio ou coisa do tipo.

Há crianças que esperam ansiosas o pai que se atrasa muito para chegar e há pais que prometem ir e não vão. Isso é horrível para a autoestima de uma criança. Essa é uma triste realidade para muitos filhos de pais separados.

Essas situações podem abalar intensamente o emocional do filho, que poderá desenvolver um sentimento de abandono e desamparo. A sensação de esperar por alguém que ama e essa pessoa não aparecer gera uma frustração muito grande. A frequência de perdas afetivas faz com que o filho se sinta não querido e não amado pelo seu pai.

A ausência paterna se tornou um problema de proporção muito grande em nossa sociedade. Se para um adulto o abandono machuca terrivelmente, imagine o estrago que isso faz em uma criança que está em formação e que não tem ainda sua personalidade estruturada. Muitos poderão desenvolver medos e traumas na vida adulta por causa da ausência do pai em sua infância.

A imagem do pai, que é de proteção e cuidado, vai se deteriorando cada vez mais até que a criança perde o amor e o carinho que tinha por ele. Quando esse desinteresse surge, a presença do pai deixa de ser importante. A criança poderá abrir em seu coração um espaço afetivo para outros ocuparem. Isso acontece num mecanismo de defesa para que ele não sofra mais com a ausência de alguém que deveria ser significativo para ele. Nessas situações o pai deixa de ser pai e passa a ser genitor apenas.

Há também os homens que pegam seus filhos só para cumprir um papel social. Então levam os filhos para lugares chatos ou impróprios para eles. Outros levam os filhos para a casa da avó paterna, que pode ser muito boa, mas ela não é o pai. Há também aqueles que levam os filhos para os lugares que eles, pais, gostam (futebol, churrasco com amigos). O programa com o filho deve priorizar o filho.

Eles fazem de conta que se interessam pelos filhos; buscam, mas não proporcionam um momento apropriado para se relacionar, brincar e conversar com seus filhos. E então eles delegam responsabilidades a uma funcionária, avó e outros cuidadores. Esses parecem que desistiram dos seus filhos.

Às vezes, numa tentativa de compensação, compram presentes para se mostrarem bons e interessados nos filhos. Isso pode funcionar por um tempo, mas nada é capaz de substituir o carinho, o cuidado e a presença do pai na vida do filho. 

Esses homens não fazem ideia do quanto eles são importantes e necessários na vida e na formação de seus filhos. A presença do pai exerce uma função estruturadora nas atitudes e comportamentos.

Filhos que recebem o carinho e atenção dos pais serão mais determinados e seguros nas suas escolhas na vida. Terão menos medos de errar e mostrarão maior capacidade de enfrentamento e superação de obstáculos. Consequentemente, serão crianças e adolescentes que expressarão mais alegria e contentamento na sua vida de relações.
 

Cláudio Miranda é terapeuta individual e familiar, psicopedagogo clínico, pós-graduado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

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