Tristes trópicos
Folha de São Paulo
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Nos planos de combate à Covid-19 em aldeias enviados ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF, o governo federal incluiu o que foi visto como um jabuti por lideranças indígenas: a exploração do etnoturismo em suas terras.
A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) pediu a exclusão do item, dizendo que o assunto não tem qualquer relação com a contenção do coronavírus, além de ferir recomendações sanitárias. Em nova versão, o governo federal disse que é um projeto pós-pandemia.
Sem chance
A Fiocruz também disse não ver sentido na ideia e ressaltou que a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho diz que qualquer atividade turística em terras indígenas deve ser decidida pelas comunidades.
Tribo urbana
Na semana passada, Gilson Machado, da Embratur, visitou aldeia na Amazônia com Eduardo (PSL-SP) e Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) para tratar do tema. Eles posaram para fotos sem máscaras. Marcelo Antônio, do Turismo, gravou vídeo defendendo o etnoturismo.
Suspense
O plano do governo federal e os contrapontos de Apib e Fiocruz agora estão com Barroso, que deve decidir se o homologa totalmente, parcialmente, ou o rejeita.
Veja bem
Em nota, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos diz que os indígenas e a Fiocruz não compreenderam adequadamente a proposta, que o governo não desconsiderou a pandemia e que os cuidados com a saúde não impedem planejamento.
Pendura
Aliados de Paulo Guedes (Economia) creem que o melhor caminho para a CPMF é que seja incluída na proposta da reforma tributária da Câmara, desde que a conta não fique para a União. Guedes diz que não tem dinheiro para repassar aos estados para viabilizar a reforma.
Ninguém pisca
A proposta da Câmara prevê a criação de dois fundos, um para compensar perdas de União, estados e municípios, de R$ 25 bilhões. E um para estados usarem para atrair empresas que perderão incentivos tributários. Embora os governadores queiram R$ 480 bilhões, pessoas familiarizadas com o debate acreditam que o valor pode ser reduzido, não zerado.
Lábia
A inclusão da CPMF na reforma depende ainda da negociação com os bancos, que veem mais custos que benefícios na troca da desoneração de salários pelo novo imposto.
Nada a ver
A produtora de vídeos Brasil Paralelo, que cresceu no atual governo com documentários de viés conservador, diz não ser “bolsonarista”. “Se políticos ou partidos aderem ou compartilham os nossos conteúdos, está fora do nosso controle”, diz Henrique Viana, fundador e diretor-executivo. Ele diz que a produtora fará críticas ao governo sempre que achar pertinente.
Avulso
A produtora, conforme noticiou o Painel, gastou R$ 319 mil em agosto e setembro com anúncios no Facebook. “Divulgar valores ao mesmo tempo em que se aplica o rótulo de 'bolsonarista' gera a falsa percepção de que há vinculo de políticos com a Brasil Paralelo. Não há, somos uma empresa 100% privada, que não utiliza dinheiro ou incentivo público, nem faz propaganda de nenhum político”, diz Viana.
Referências
A eleição terá 103 candidatos que usam o nome “Bolsonaro”, na maioria disputando Câmaras por partidos como PSL e PRTB. Haverá ainda 3 “Trumps”. Em Brusque (SC), o escritor João Teles Santana fundiu os dois: concorrerá a vereador como Donald Trump Bolsonaro, pelo PSL.
Plano b
“Foi uma estratégia de marketing”, admite ele, que diz não ter dinheiro para enfrentar os líderes locais. “Vou andar a pé contra quem está a cavalo”. Ele revela que caso o registro não fosse aceito, concorreria como “coronavírus”.
À luta
Guilherme Boulos (Psol) tem recebido apoios ecléticos. Estão com ele o historiador Jones Manoel, que faz elogios a Josef Stálin, e o ex-governador do Paraná Roberto Requião (MDB), que ontem declarou apoio.
Bula
O candidato do DEM à Prefeitura de Salvador, Bruno Reis, criou um protocolo sanitário para a campanha. Não haverá comícios e caminhadas, apenas carreatas. Em eventos fechados, o limite é de 100 pessoas. Aperto de mão e abraços devem ser evitados.
Tiroteio
“Se ela não se importa em entregar um documento obrigatório, que dirá cumprir as promessas do programa se eleita”.
De Edson Salomão, do Movimento Conservador e candidato a vereador em SP (PRTB), sobre Joice Hasselmann não ter registrado programa.
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Painel,por Folha de São Paulo