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PAINEL

O despertar dos instintos

| 28/04/2020, 10:12 h | Atualizado em 28/04/2020, 10:17
Painel

Folha de São Paulo

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Um dos economistas liberais que desembarcaram no governo Bolsonaro com Paulo Guedes, Rubem Novaes, presidente do BB, critica quem defende o aumento de gastos públicos para dar o arranque na economia pós-pandemia.

“Sempre que há uma forte crise, os piores instintos intervencionistas se assanham”, disse. “Reflexos negativos óbvios apareceriam no câmbio, nos juros e na confiança empresarial. Alguns irresponsáveis falam em romper o teto dos gastos. Seria um desastre total!”

Frentes
A crítica ocorre em meio a um debate entre economistas sobre qual deve ser o papel do Estado na crise provocada pelo coronavírus. A discussão é travada também dentro do governo - uma ala defende a ampliação dos gastos estatais no programa Pró-Brasil, cujo porta-voz é Braga Neto (Casa Civil).

Retrovisor
“Há sempre economistas saudosistas do que tivemos de pior em termos de política econômica. Não aprenderam que a expansão do Estado, normalmente acompanhada de muita corrupção, foi a causa preponderante de seguidas décadas com relativa estagnação”, afirmou Novaes ao Painel.

Raiz
Em sua opinião, o Estado deve “cuidar das emergências e atrapalhar pouco na retomada. O Estado não é solução. É o problema”.

Libera
O executivo observa que as projeções indicam que o PIB pode cair até 5% neste ano, mas pode piorar a depender do tempo de quarentena. Novaes é favorável ao “isolamento seletivo”. “Sabe aquele símbolo da Nike? É como vejo o formato de nossa recuperação a partir da liberação da produção e do comércio.”

Não força
Em deliberação sobre anúncio da Receita Federal de processar o Maranhão por ter importado 107 respiradores da China via Etiópia, caso revelado pelo Painel, o Tribunal de Contas da União diz que o órgão tem uma reação desproporcional que pode vir a ser classificada como desvio de finalidade.

Sempre assim?
O ministro Bruno Dantas pede esclarecimentos à Receita, se está adotando procedimento padrão. Ele diz temer que as atitudes desencorajem o governo Flávio Dino (PCdoB) em futuros investimentos, atingindo, assim, a própria população.

Ouvir
Dantas determinou que, antes de uma medida cautelar, seja feita oitiva do governo do MA e da Receita.

Troca
Escolhido por Bolsonaro, Alexandre Ramagem já deu início ao processo de transição para assumir o comando da PF. Segundo relatos, o delegado fez ontem contato com integrantes da ainda atual diretoria. Uma reunião chegou a ser pré-agendada.

Viagem
Maurício Valeixo, ex-diretor-geral, deve assumir um posto fora do país. O mais provável é que seja em Portugal. Outros diretores também devem ser convidados. Nas últimas trocas da PF, os chefes também foram colocados em outras funções, fora da gestão. Fernando Segovia foi para a Itália e Rogério Galloro foi para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ao ataque
A executiva nacional do PT decidiu iniciar uma ofensiva contra Bolsonaro na Justiça. O ex-juiz Sergio Moro e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) também são alvo.

Tática
A orientação é para que deputados estaduais e os presidentes de diretórios ajuízem ações populares contra as nomeações do ministro da Justiça e do novo diretor da Polícia Federal.

Lupa
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pediu ao STF que autorize uma mandado de busca e apreensão do celular de Carla Zambelli (PSL-SP).

A limpo
Na petição, ele argumenta que uma perícia no celular da deputada pode mostrar o “verdadeiro teor das conversas mantidas pela deputada com o ex-ministro [Sergio] Moro”, o que, segundo o senador, seria essencial para revelar eventuais crimes praticados por ela, Moro, ou Bolsonaro.

Fake
Apoiadores do Presidente passaram o dia de ontem compartilhando mensagem de um falso perfil de Ramagem atacando o ex-ministro da Justiça. A conta foi suspensa pelo Twitter por não pertencer ao delegado.

Tiroteio
“Queremos pessoas que estejam à frente da segurança pública que sejam armamentistas.” Do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre a escolha de seu pai para ocupar a PF e o Ministério da Justiça.

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