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Folha de São Paulo

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| 08/03/2021, 08:37 08:37 h | Atualizado em 08/03/2021, 08:47

Em meio à omissão, ineficiência e negacionismo de Jair Bolsonaro, articula-se em Brasília um arranjo para colocar a cúpula do Congresso no comando do combate à pandemia, com o respaldo de governadores e a participação do próprio ministro da Saúde.

Após dez meses de submissão à cartilha bolsonarista e agora sob investigação, Eduardo Pazuello tem sinalizado com pedido de ajuda a gestores. A costura tem sido feita nos bastidores e com cuidado para não provocar a ira do Presidente.

Estágio
A articulação envolvendo o Congresso parte de dois entendimentos. Primeiro, os governadores querem evitar o desgaste de atuar sozinhos no pico da pandemia. Segundo, a polarização de Bolsonaro com eles chegou a um ponto que a única forma de ter uma ação conjunta é com ajuda do Legislativo.

Tamo junto
Aliados de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tentam tratar o assunto como uma pacificação entre os Poderes e não como um atropelo ao governo federal. O discurso é o de que Bolsonaro está ciente que deve agir e a participação do ministério mostrará esse comprometimento.

Ordens
O plano é o de que o grupo criado por Lira com governadores na semana passada concentre as principais ações do País contra o avanço da Covid-19, coordenando a atuação do ministério.

Mãos
Pazuello, por sua vez, passou a sugerir a gestores que não consegue tomar as medidas que lhe são cobradas por não ter respaldo no Palácio do Planalto. Apesar de políticos criticarem a atuação do ministro, a leitura é a de que não é possível agora tirar a pasta da linha de frente do combate à pandemia.

Rumo
Um dos feitos da falta de coordenação nacional: o Mato Grosso anunciou que entrou em colapso e pediu socorro, como revelou o Painel. Com o País inteiro na mesma situação, estados disseram que não conseguem ajudar.

Drama
“Já colapsamos. Socorro. Preciso de ajuda. Algum estado pode auxiliar com vagas de UTI?”, perguntou o secretário a colegas.

Resposta
Também no vazio de Bolsonaro, 21 governadores devem anunciar medidas restritivas conjuntamente. A ideia é definir linhas gerais, que sirvam para todos, e que, a partir disso, cada um tome outras decisões de acordo com a necessidade local.

Limite
A diretora do Hospital Universitário de Londrina, Vivian Feijó, diz que a unidade de saúde, a segunda maior do Paraná, colapsou. O aumento exponencial no número de casos, diz ela, fez com que espaços destinados a 10 pacientes recebam o dobro da capacidade. São 60 pacientes na fila por um leito de UTI.

Socorro
Ao Painel, ela classifica o momento como de angústia e aflição e diz que sem medidas restritivas “há temor de chegar o momento de ter que escolher quem tem mais chance de viver”. Na última semana, a Câmara Municipal chegou a propor a suspensão das medidas restritivas impostas pelo governo estadual.

Sintonia
Além das divergências entre governadores e Bolsonaro, outro foco de crise é dos estados com prefeituras. No Rio Grande do Norte, Alvaro Dias (PSDB), prefeito de Natal, e lideranças de prefeituras do interior se rebelaram contra as medidas restritivas impostas pela governadora Fátima Bezerra (PT).

Gripezinha
Eles assinaram decreto permitindo o funcionamento de bares e restaurantes todos os dias da semana até às 21h. Shoppings também estão liberados entre 9h e 20h. Dos 22 hospitais do estado, 17 estão com 100% de ocupação. Na região metropolitana de Natal, 84 pacientes aguardam leito de UTI e há falta de alguns equipamentos.

Eu faço
Em Alto Paraíso de Goiás (GO), na Chapada dos Veadeiros, a disputa é entre comerciantes e a prefeitura. Como o município decidiu postergar o lockdown, comerciantes se uniram e decidiram parar por conta própria. O argumento é o de que a cidade não possui leitos de UTI.

Stop
Batizada de “lockdown voluntário”, a paralisação prevê comércios de portas fechadas por 15 dias a partir de hoje. Cerca de 45 comércios, que vão desde pousadas, restaurantes e casas de veraneio, aderiram.

Tiroteio
“Não foi uma pena, foi uma licença-prêmio. A decisão foi a mais burra que já vi nesses 40 anos de Alesp”. De Barros Munhoz (PSDB), deputado estadual de São Paulo, sobre a suspensão aplicada a Fernando Cury (Cidadania) no caso de Isa Penna (PSOL).

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