Diga a que veio
Folha de São Paulo
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Parlamentares viram a ida de Jair Bolsonaro (sem partido) a ato pró-intervenção militar ontem, gerando aglomeração, como o primeiro teste para avaliar o comportamento de Nelson Teich, novo ministro da Saúde.
Ao contrário do ex-titular da pasta, Luiz Henrique Mandetta, que mandou recados ao Presidente em vezes em que ele foi às ruas, Teich silenciou. Deputados de centro e esquerda discutem chamá-lo a falar na Câmara sobre as ações que quer adotar no combate ao coronavírus.
Quem és tu
Líderes partidários avaliam que Teich não detalhou suas posições sobre isolamento. O silêncio dele ontem reforçou a avaliação de que será tutelado por Bolsonaro. Gerou ainda o receio de que ele possa chancelar a ideia do Presidente de pôr fim a políticas de distanciamento adotadas por estados.
Fora de área
Procurado, o Ministério da Saúde informou que não se manifestaria sobre a participação de Bolsonaro no protesto em Brasília.
Disco arranhado
O Presidente, que passou a semana negociando cargos com integrantes do Centrão para atraí-los à sua base, mais uma vez, ontem, negou publicamente as próprias ações e disse: “Chega da velha política”.
Burros n'água
A atitude serviu para parlamentares contrários a esse tipo de aproximação pregarem que os pares precisam entender que Bolsonaro não mudará. Da última vez em que o Presidente foi a atos contra o Congresso, o governo havia acabado de negociar com o Parlamento a divisão de cerca de
R$ 30 bilhões em emendas.
Falta
O ministro Sergio Moro (Justiça), que propagandeou ontem a prisão do número 2 da facção PCC, nada falou sobre os atos que pediram intervenção militar, com a participação de seu chefe no DF. Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), alvo dos protestos, também não comentou os atos.
Mutante
Ex-ministro do STF, Nelson Jobim afirmou, em conversas reservadas nas últimas semanas, que o Brasil já passou por uma série de fases, como a do autoritarismo, da coalizão, da cooptação, e que, agora, vive a República do conflito.
Pela ordem
Ele defendeu que o momento de agora, diante de Bolsonaro, é de não cair em provocações e insistir na República do diálogo. Jobim disse que o Supremo tem papel fundamental nesse esforço.
Ranking I
Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) na semana passada mostra que Ceará, Goiás, Sergipe e Santa Catarina foram as unidades da federação que decretaram ações mais drásticas de isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus.
Ranking II
Os que adotaram iniciativas menos restritivas foram Bahia e Mato Grosso do Sul. Os dados se referem à análise das políticas que estavam em vigor de 6 a 9 de abril.
No lápis
O dado se baseia em um índice que varia de 0 a 10 e é composto por seis variáveis: restrições a eventos, ao funcionamento de bares e restaurantes, comércio em geral, restrições sobre atividades industriais, suspensão de aulas e limitações ao transporte terrestre, fluvial e marítimo de passageiros.
Se não tem tu...
O MBL vai lançar um plano de retomada das atividades econômicas no Brasil com base em estudos de Estados Unidos e Alemanha. O projeto prevê uma série de condições para a saída do isolamento social de estados, como que tenha havido queda no número de casos da Covid-19 em 14 dias.
Com calma
A proposta sugere a retomada em três fases, sendo que, na primeira, as escolas seguiriam fechadas. A segunda etapa só seria iniciada se o estado não tiver aumento dos casos em 14 dias. O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) diz que o plano é uma resposta à inépcia do governo federal.
Mais um
Militares do governo afirmam que o general Eduardo Pazuello, ex-coordenador da operação Acolhida, vai fazer parte do time do novo ministro da Saúde. Uma hipótese é que o militar seja o número 2 da pasta, como mostrou o jornal O Globo ontem.
Em suas mãos
O general é reconhecido no Exército por sua habilidade em logística e espera-se que ele auxilie na distribuição de insumos na pasta.
Tiroteio
“Eles marcharam sobre Roma, em 1922, e pela família, em 1964. Agora voltam à Avenida Paulista. Não costuma acabar bem...”
Do advogado Pierpaolo Bottini, sobre os atos de ontem, em São Paulo e outros estados, com pedidos de intervenção militar.
Publicação simultânea com a Folha de São Paulo
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