Casamento de fachada
Folha de São Paulo
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Para integrantes da cúpula da Polícia Federal, a relação de Sergio Moro (Justiça) e Jair Bolsonaro já terminou desde o ano passado e é zero a confiança entre os dois. Na crise do coronavírus, eles se afastaram ainda mais, defendendo posições antagônicas sobre o isolamento social. Desde então, diretores passaram a falar que o Presidente daria um jeito de aproveitar o momento para forçar a saída do ministro. A demissão de Luiz Henrique Mandetta fez escalar a percepção.
Gatilho
A queda de Mandetta foi tratada na cúpula da PF como simbólica, já que o ex-ministro tinha 70% de aprovação, segundo a última pesquisa Datafolha. Segundo relatos, os diretores passaram a tratar o caso como o precedente perfeito: o Presidente conseguira demitir um auxiliar popular sem grandes consequências políticas.
Não tá comigo
O secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres, que sempre aparece na lista dos cotados, passou o dia respondendo telefonemas e mensagens dizendo a amigos que não havia sido escolhido para o lugar de Maurício Valeixo. Ele também afirmou que achava que o chefe da Abin, Alexandre Ramagem, já estava avisado que seria o próximo diretor-geral da Polícia Federal.
Carne e unha
Também delegado, Ramagem virou a principal ponte do Planalto com a PF. Foi ele quem sondou nomes para substituição do chefe do Rio, em agosto do ano passado, tendo indicado Alexandre Saraiva, superintendente do Amazonas - que Bolsonaro chegou a dizer que ia assumir o posto.
Ligação
Depois, com a resistência de Valeixo, o chefe da Abin fez o papel de intermediário e ajudou a concretizar a ida de Carlos Henrique Oliveira de Sousa para a superintendência do Rio - ele assumiu em janeiro e permanece no cargo até o momento.
Meu lado
Para alguns delegados, a reunião convocada por Valeixo na manhã de quarta-feira foi planejada para que ele pudesse dar a sua versão. O diretor-geral disse que não tem apego ao cargo e que chegou a colocá-lo à disposição em janeiro, durante a segunda crise da PF com Bolsonaro.
De novo
Uma reunião havia ocorrido no dia anterior, interrompida no final por um problema tecnológico. Alguns policiais disseram, contudo, que todos assuntos já tinham sido tratados.
Atropelo
O IBGE enviou ofícios para operadoras de telefonia pedindo imediatamente os dados de clientes antes mesmo que o STF tenha se posicionado sobre o tema. Na terça-feira, a ministra Rosa Weber deu 48 horas para que o governo federal explicasse a medida provisória que autorizou o IBGE a pedir nome, telefone e endereço dos consumidores.
Brecha
O IBGE argumenta que quer os dados para realizar remotamente a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que mede o desemprego. Especialistas dizem que a MP tem falhas que abrem avenida para violação de dados pessoais.
Critérios
“Estão esvaziando o STF”, diz Rafael Carneiro, advogado do PSB, que tenta revogar a MP. “O IBGE não especifica quais pessoas terão acesso aos dados, por quanto tempo ou como será feito o descarte. Se as operadoras enviarem os dados ao IBGE, qualquer posição do STF não terá mais objeto”, completa.
Baixa
Desde o começo da pandemia, 4.938 policiais deixaram de trabalhar no Brasil por suspeita de contaminação pela Covid-19, segundo dados das secretarias estaduais de Segurança Pública.
Combo
“Por um lado, cerca de 30 mil presos foram liberados. Por outro, a redução da capacidade operacional das polícias. É uma combinação perigosa”, diz Cristiano Sampaio, secretário da Segurança Pública do Tocantins.
Mudança
Durante reunião virtual com empresários, o governador João Doria (PSDB-SP) propôs alterar a data do Dia das Mães de maio para agosto. Segundo ele, o adiamento seria apropriado para impulsionar o comércio, atingido pelas restrições para combater o coronavírus.
Risco
O tucano disse que o encontro familiar hoje é difícil, já que há preocupação com pessoas com mais de 60 anos, que são do grupo de risco.
Tiroteio
“Não pautamos a militância. Se levantam cartazes a favor da intervenção militar, não pode cair na conta dos bolsonaristas.”
Do deputado Ubiratan Sanderson (PSL-RS), sobre suposto apoio de parlamentares a atos que pediram o fechamento do Congresso.
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Painel,por Folha de São Paulo