Bumerangue
Folha de São Paulo
Siga o Tribuna Online no Google
Dias antes das declarações ao Fantástico do domingo, o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) tinha dito a Jair Bolsonaro que suas atitudes seriam proporcionais às do chefe. A conversa explica, em parte, a entrevista que deu à Globo, na qual fez críticas ao Presidente. No sábado , Mandetta participou de uma visita em um hospital em Goiás ao lado de Bolsonaro que culminou com uma aglomeração, o que causou constrangimento.
Caneta Bic
Segundo amigos do ministro, ele continua decidido a só sair do governo se for demitido. A avaliação da equipe de Mandetta é que, apesar da vontade, Bolsonaro não teve de novo coragem de concretizar a demissão, por não ter condições políticas para isso.
Entregue
Para integrantes do DEM, Onyx Lorenzoni (Cidadania) deu a maior demonstração de sua submissão a Bolsonaro ontem. A avaliação é que ele defendeu o governo sem ter sido chamado, chutou o balde com Mandetta e mostrou que só pensa em refazer a sua relação com Bolsonaro.
De que lado
Nos bastidores, além de ser chamado de judas por políticos da legenda, é também referido como “empregado” do Presidente. Colegas do DEM se disseram perplexos ao ver as declarações de Onyx por ocorrerem menos de dois meses depois do que, segundo eles, foi uma humilhação do ministro, quando foi retirado da Casa Civil.
Menos é mais
Aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e senadores dizem nos bastidores que a briga dele com Bolsonaro e Paulo Guedes escalou na tramitação do socorro aos estados, gerando um caos e dando a impressão de que o líder da Câmara está se guiando politicamente, como acusa Bolsonaro.
Lupa
No Senado, a sensação é de que, do jeito que ficou, o pacote não passa. O governo já avisou que tentará incluir contrapartidas de governadores e prefeitos, como a suspensão de aumentos por dois anos.
Fogo
A relação de Maia com o governo azedou de vez com a tentativa do Palácio de negociar diretamente com líderes o socorro. Maia abriu a votação enquanto o líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), ainda tentava angariar assinaturas para incluir uma emenda a pedido do governo.
Irmã
A médica Nise Yamaguchi, referência do governo Bolsonaro na defesa da cloroquina, tem irmã com histórico no bolsonarismo. A administradora Naomi Yamaguchi fez parte do grupo de Educação do gabinete de transição, coordenado por Ricardo Vélez, que se tornaria ministro. Naomi diz que não influiu na relação de Nise com o governo.
Educação
Em suas redes sociais, ela diz que foi “rechaçada como se tivesse lepra” após ouvir que o ministro não simpatizava com ela. Em fevereiro, conseguiu reunião com o novo titular, Abraham Weintraub, para tratar do chamado “método de Cingapura”, voltado ao ensino de Matemática.
Eleição
Em 2018, ela foi candidata a deputada federal pelo PSL-SP, mas não foi eleita. Nas redes sociais há registros de encontros dela com os deputados Eduardo Bolsonaro e Hélio Lopes. Também é possível ver que ela participou das manifestações de 15 de março. Ela é contra o isolamento social defendido por Mandetta.
Tiroteio
“Faz com meia, faz com fralda. Se não tiver capacete e o tiro estiver comendo, caça um penico e põe na cabeça”. De Alexandre Kalil (PSD), prefeito de Belo Horizonte, ao anunciar que vai tornar obrigatório o uso de máscara para conter a pandemia.
Bolsonaro reclama do Supremo
O presidente Jair Bolsonaro queixou-se ontem do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo fato de o ministro Alexandre de Moraes ter garantido autonomia a governadores e prefeitos para decretar restrições à circulação durante a pandemia do novo coronavírus.
O Presidente também ironizou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, cuja permanência no governo está ameaçada, e disse que pretende resolver um “problema” esta semana.
SUGERIMOS PARA VOCÊ:
Painel,por Folha de São Paulo